CAPÍTULO 1.1

No momento em que eu entrei na igreja esta manhã para o batismo do pequeno Mazza meus olhos vasculharam a igreja à procura dela. Eu havia dito a mim mesmo todas as razões pelas quais eu não deveria comparecer a esse evento. Mas aqui estava eu sob pretexto de não ser rude com os Mazzas, quando eu sabia que a verdadeira razão para eu estar ali era ela.

Ela não me viu chegar e eu tive um longo tempo para observá-la antes de ser descoberto. A cerimônia ainda não havia iniciado e os familiares e alguns convidados estavam espalhados pela igreja conversando. Ela estava de pé, próxima ao altar, conversando com a irmã dos homens Mazza.

Guilhermina estava linda daquele seu jeito simples e doce. Usava um vestido azul claro, que possuía algumas flores espalhadas pela barra e seus longos cabelos estavam arrumados em uma longa trança escura que caía por um dos ombros, seus lábios brilhavam discretamente, mas eu podia jurar que esse era o único toque de maquiagem que ela estava usando. Seus cílios eram longos naturalmente e era incrível como eles se pareciam em volta do azul tão vivo dos olhos dela.

Eu queria ficar ali o dia inteiro observando-a, mas minha alegria acabou quando Antony Mazza me viu parado na entrada da igreja.

- Luca, aí está você.  – Ele falou alto o suficiente, pois ela desviou a atenção de sua conversa e fixou em mim. Ela não sorriu, nem acenou, nada. Só olhou e alguma coisa dentro de mim incomodou-se. Mas o que eu estava esperando? Algum tempo se passou desde que eu estive na vinícola e, ao contrário do que eu prometi, eu não liguei pra ela. Claro que ela mesma disse que não era necessário, mas eu acredito que, no fundo, ela esperava por isso. O que ela não sabe é que a única razão para que eu não o fizesse era que eu queria protegê-la. Mas ela não tem ideia e provavelmente está decepcionada comigo. Melhor assim.

- Mazza. – Cumprimentei Antony. O pai orgulhoso aproximou-se com o seu herdeiro nos braços, dizendo-me o quão feliz estava por eu ter aceitado o convite. Eu troquei algumas amabilidades com ambos os irmãos antes do início da cerimônia. Mas o tempo todo lancei olhares furtivos na direção dela.

Quando a cerimônia começou, sentei-me do lado oposto ao dela e tentei, em vão, prestar atenção à cerimônia. Alivio percorreu cada parte do meu corpo quando a celebração chegou ao fim e o meu amém foi um pouco mais contundente do que normalmente seria. Pode parecer um pouco dicotômico, mas os Sartoris eram extremamente religiosos. Talvez uma maneira de tentar conseguir um pouco de perdão celestial ou talvez uma maneira de camuflar quem realmente somos... Quem sabe?

Eu pensei que seria sábio da minha parte não ir para o almoço que seria oferecido pelos pais orgulhosos na mansão. Mas na porta da igreja, enquanto me despedia, Antony frisou que estariam me esperando e Matteo Mazza endossou. Assim, pensei que poderia ir, ainda que fosse por pouco tempo.

Logo que entramos no carro Demétrius perguntou – Tem certeza que quer fazer isso?

- Por que você está perguntando?

- Por que você parece um animal torturado. – A verdade era que eu me sentia exatamente dessa forma. Ter que olhar pra ela e não poder tocá-la. Evitar falar com ela por medo de não resistir tomá-la em meus braços era uma verdadeira tortura. Como eu não acrescentei nada, ele ligou o carro e se afastou da igreja em direção à mansão – eu só acho – continuou – que é uma tortura pra você estar tão perto. Mas você sabe melhor.

Ele continuou sem resposta. Não havia uma adequada depois de tudo. Demétrius não disse nada que eu já não soubesse. Se tinha alguém que acompanhou o meu suplício nos últimos três messes, esse alguém foi Demétrius. Eu não conversei com ele sobre isso, mas ele sabia como eu me sentia. De qualquer modo, eu iria para a mansão e, sim, eu sofreria um inferno e eu manteria distância, mas eu também iria vê-la e só isso já valia qualquer dor. Ao final desse dia eu seguiria meu caminho como eu vinha fazendo e deixaria que ela seguisse o dela.

Além disso, eu não quero ser rude com a família Mazza. Embora eu não faça amigos, à exceção de Dem, que era a coisa mais perto de um amigo que eu tive a minha vida toda, os Mazzas eram pessoas do meu agrado e eu não tinha qualquer intenção de ser mal educado com eles.

Não me entendam mal, eu não sou um cara solitário do ponto de vista da quantidade de pessoas que me cercam. Eu sou um grande empresário, uma das pessoas mais ricas da Itália oficialmente. Extraoficialmente?  Eu era a pessoa mais rica... De longe. Por isso tudo, eu era um tipo de celebridade. Eu recebia convites para as melhores festas, eu recebi prêmios de investidor do ano incontáveis vezes, eu apoiava iniciativas dos meus familiares na política, que beneficiava instituições de caridade de todo o país. Sou a cara bonita da família sempre atraindo boa publicidade para maquiar todo o negócio sujo que fazemos no final das contas. Mas amigos??? No sentido poético da palavra??? Não. Eu não tive nenhum antes à exceção de Dem. Uma legião de seguidores sim, amigos verdadeiros, não.

Aqueles que não sabem quem eu realmente sou, seguem-me pelo status que ser meu “amigo” pode oferecer, quem sabe de fato quem eu sou e o que eu faço me teme. Então eu gostava de Antony Mazza e eu não iria morrer se ficasse um pouco mais na festa do seu sobrinho que eu salvei.

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