Mundo de ficçãoIniciar sessãoVoltei meu olhar para Guilhermina. Ela ainda segurava o pequeno Mazza em seus braços. Antony ainda estava numa conversa animada com Amadeo. Então, sem dedicar mais um pensamento sequer ao que estava prestes a fazer e as suas consequências, eu me levantei e atravessei o gramado na direção dela. Ela agora estava de costas pra mim e balançava suavemente o bebê. – Oi – Eu disse e esperei. Mesmo de costas eu percebi como seus ombros enrijeceram e como seus movimentos leves pararam. Ela demorou tanto para virar em minha direção que eu pensei que não fosse fazê-lo. Mas então ela se virou e seu semblante parecia tranquilo, embora eu pudesse notar, muito sutilmente, o vacilar da sua respiração.
- Oi – ela abriu um sorriso incerto, mas ainda assim um sorriso.
- Está tentando me evitar? – perguntei.
- Oh! Eu? Não. Bem – ela ponderou – na verdade eu achei que você estivesse me evitando, então eu apenas tentei facilitar o seu trabalho.
- Na verdade eu estava – uma expressão triste cobriu o seu rosto por um instante, o que fez com que eu me apressasse em esclarecer – mas só por que eu acho que não sou uma boa companhia pra você.
Ela abriu um sorriso lindo. Autêntico. – Ah! Você é um garoto malvado?
Foi a minha vez de dar um dos meus raros sorrisos. Isso sempre acontecia quando eu estava em volta dela – Sim. Eu sou. – eu olhei pra criança que dormia pacificamente em seus braços – Você gosta de crianças. – Não era uma pergunta.
- Sim. Eu adoro.
- Você é responsável por cuidar dele? Eu quero dizer, como babá?
- Não. Giovanna é a única que toma conta dele. Ela não deixa ele um minuto sequer e sempre é uma luta conseguir tirar ele dela. Por isso eu estou aproveitando que ela tem tantos convidados hoje, assim eu posso roubá-lo um pouco.
- Entendo. Então isso significa que você não está em Milão a trabalho?
- Não. Eu vim para a festa.
- Excelente. – Então eu surpreendi a mim mesmo pela enésima vez no dia com a frase seguinte – Porque eu gostaria de convidá-la para jantar esta noite.
Ela pareceu surpresa com o convite. Seus olhos azuis ficando um pouco confusos. Era compreensível. Eu apareci do nada na vinícola e não dei-lhe qualquer chance de escapar da minha atenção e dos meus beijos. Então sumo por três meses e agora apareço do nada querendo levá-la para jantar. Eu podia ver todos os questionamentos trabalhando em sua cabeça – Eu agradeço pelo convite, mas não acho que seja uma boa ideia.
- Por quê?
Ela arqueou as sobrancelhas. – A lista é imensa. Você é amigo dos meus patrões, tem uma vida totalmente diferente da vida que eu levo na Toscana, na verdade nós dois não podemos ser mais diferentes em tudo. Por que você iria querer sair para jantar comigo? – ela não falou sobre o que aconteceu entre nós ou sobre o meu desaparecimento posterior.
- Por que você é uma excelente companhia? Por que você é divertida? Por que é inteligente? Por é simples? Por que faz com que eu me sinta purificado pela sua presença? Bem, minha lista também é imensa e eu nem cheguei perto de terminá-la.
- Oi? – Uma voz suave soou atrás de mim e eu e Guilhermina viramos para olhar. Era Giovanna Mazza. Nós dois murmuramos um “Olá” e a recém chegada olhou de um para o outro como se estivesse nos estudando. – eu imaginei que o pequeno Teo estaria dormindo. Talvez fosse melhor colocá-lo no berço um pouco, não?
Guilhermina sorriu – Sim, ele está adormecido como um anjo que ele é. Você quer que eu o leve até lá?
- Não, obrigada. Divirta-se um pouco, Guile, eu mesma o levarei – Giovanna pegou o bebê com cuidado e eu aproveitei para conseguir algum apoio.
- Eu estava justamente a convidando para jantar comigo esta noite.
Giovanna olhou de novo de um para o outro – Seria bom pra você sair um pouco, Guile. – Então seu olhar pra mim foi contundente – eu tenho certeza que Luca vai se comportar, não é Luca?
Eu fiquei receoso que a minha voz falhasse, afinal eu não estava acostumado a receber ordens ou ser questionado, a não ser pelo meu pai. Mas quanto mais eu demorava a responder, maior o risco de perder o meu apoio – Claro. Eu prometo que vou cuidar dela. Será apenas um jantar e eu a trarei de volta em segurança.
- Promete? – ela insistiu.
Mas que porra é essa? – Você tem a minha palavra – disse.
- Sua palavra funciona pra mim – ela disse. Então, virou-se para Guilhermina. – Você deve ir, Guile. Tenho certeza que Luca pode apresentar-lhe lugares legais.
- Obrigada, mas eu pretendo voltar pra vinícola hoje ainda.
- Você não tem nada pra fazer lá. Eu e Matteo vamos ficar por aqui nos próximos dias para ajudar Penélope e Antony. Eu estou te dando folga até voltarmos para a vinícola.
- Excelente! – falei antes que ela recusasse novamente.
- Bom. Eu tenho que colocar esse anjinho no berço. Divirtam-se. – Mãe e bebê sumiram e eu voltei minha atenção para a moça nervosa na minha frente. Por que sim, ela estava visivelmente nervosa.
- Eu pego você às oito.
- Sr. Sartori...
- Nada de Sr. Sartori. Eu já disse que pode me chamar de Luca. Além disso, eu não vou aceitar um não. Estarei aqui às oito.
Ela suspirou e eu sabia que ela estava preparada para recusar mais uma vez, mas felizmente Antony e Penélope apareceram nesse momento. Geralmente eu ficaria incomodado com a interrupção, mas eles não poderiam ter aparecido em melhor hora – Ei vocês dois, é exatamente com vocês que nós queremos falar.
Eu me voltei na direção do casal, atento ao que viria. - Sim, senhor Mazza – Guilhermina falou e Antony a corrigiu.
- Quando você vai parar de me chamar assim, menina? Não sou seu chefe.
- Desculpe... eu sempre esqueço, Tony.
- Assim está melhor.
- Essas taças são para vocês – Penélope falou entregando uma das taças de vinho branco à Guilhermina enquanto Tony me entregava uma. – Nós temos um convite a fazer pra vocês dois. – anunciou e eu rezei para que não fosse nada que atrapalhasse meus planos para essa noite.
Antony falou dessa vez – Bem, como vocês sabem eu e Penélope estamos noivos e vocês devem receber um convite nos próximos dias. A equipe cerimonial está cuidando disso.
- Parabéns! – eu disse, por não ter nada melhor para dizer. Eu não sabia para onde esta conversa estava indo.
- Obrigado – Tony disse – mas o que nós viemos falar com vocês é que tanto eu como minha linda noiva ficaríamos honrados de tê-los como padrinhos do nosso casamento.
- EU? – Eu e Guilhermina perguntamos ao mesmo tempo assustando o casal a nossa frente.
Penélope pareceu ser a única dos quatro que recuperou rapidamente a compostura – Sim, vocês. Minhas madrinhas serão Giovanna, Antonella e você Guile e os padrinhos de Tony serão Matteo, Luca e Amadeo. É perfeito.
- Oh! Tem certeza? – perguntou Guilhermina completamente atônita. – eu nunca fui madrinha de um casamento – falou como se isso fosse razão suficiente para que Penélope e Tony desistissem.
- Oh! Não se preocupe. Eu também nunca tinha sido madrinha até o casamento de Giovanna e como você viu eu tirei tudo de letra. Você também o fará. Nós contratamos a mesma empresa que organizou o casamento de Giovanna e Matteo. Eles são excelentes e cuidam de tudo.
Guilhermina olhou pra mim completamente desconcertada. Eu podia ver as rodas girando em sua cabeça. Minha menina estava se sentindo inadequada, inferior ao posto para o qual foi convidada. Apesar de surpreso, eu teria recebido o convite de qualquer maneira. Mas vê-la assim tão vulnerável foi o incentivo que faltava para o meu sim. – Eu estou honrado pelo convite e farei isso com prazer desde que essa bela dama aqui seja a minha acompanhante.
Ela me olhou em choque – Claro. Nós havíamos pensado exatamente assim – Tony disse, confirmando as minhas suspeitas de que ele e a noiva haviam combinado isso. – o que você diz Guilhermina?
- Eu... eu... Bem, será um prazer e uma honra.
- Obrigado aos dois – Antony disse e eu ergui a taça em um brinde e um agradecimento implícito.
- Um brinde aos noivos – todos ergueram a sua taça e depois de trocarmos mais algumas palavras sobre a data e os planos, eles nos deixaram a sós novamente – Então, tem alguma comida que você não possa comer? – perguntei querendo prolongar o nosso tempo juntos.
- Não mesmo. Eu gosto de tudo que eu já provei até hoje. Embora, isso não tenha sido muita coisa. Eu quero dizer, nunca provei pratos exóticos e culinárias de outros países, com algumas exceções, é claro.
- Ok. Eu vou pensar em um lugar legal para nos levar.
- Você não tem que fazer um grande esforço para me agradar. Eu realmente sou muito democrática quando o assunto é comida.
- Anotado. – Falei, preparando-me para ir embora. Ela olhou em volta e eu percebi que ela olhava em volta com um pouco de estranheza – O que foi? – perguntei.
- Eles também vão estar presentes no nosso encontro, quero dizer jantar.
- Eles?
- Sim. – ela olhou em volta novamente e eu percebi que ela estava se referindo aos meus homens.
- Ah, eles. Eles vão aonde eu vou para a minha segurança.
- Hum, sei.
Eu não queria que ela desanimasse ainda mais. Já estava sendo uma luta convencê-la de ir jantar esta noite. – eles incomodam você?
- Não. Só é um pouco estranho sair com tanta gente em volta...
- Não se preocupe com eles. Você nem vai perceber que eles estarão lá.







