Mundo de ficçãoIniciar sessãoO carro parou em frente ao restaurante e o manobrista estava a postos para cuidar de tudo. Porém, Demétrius estava de pé ao lado do carro assim que nós saímos do veículo. Eu tinha notado o desconforto de Guilhermina em relação aos seguranças. Mas nós teríamos uma sala privada e eles ficariam de fora.
Quando entramos paramos na recepção, onde uma jovem pegou o casaco de Guilhermina e logo em seguida o maître surgiu solícito. - Signore Sartori, venha por aqui, por favor, eu tenho a sua mesa pronta.
Eu já tinha vindo outras vezes e eu havia ligado mais cedo para reservar uma sala privada para nós dois. O restaurante estava lotado e dezenas de olhares se fixaram em nós enquanto atravessávamos o enorme salão acompanhados dos seguranças.
Entramos na sala onde uma bela mesa estava posicionada no centro do cômodo com dois lugares arrumados elegantemente. Eu puxei a cadeira para que ela sentasse e me acomodei em meu lugar. Um cardápio foi entregue a ela e outro a mim. Ela recusou o dela – Vou ter que confiar em você para pedir esse jantar, Luca.
- Tudo bem. Vou pedir o que eu mais gosto, mas se você não gostar, é só falar que eu peço outra coisa, combinado?
- Combinado. – Eu pedi um Som Tam, que é uma das saladas mais populares da Tailândia. É feita de papaia verde, limão e um monte de outros temperos bem típicos do lugar. O resultado é excelente. Como prato principal eu pedi o Tod mam pla, que é um tipo de peixe picado e frito misturado com pasta de curry vermelho, feijão, e folhas de limão kafir. Ele vem acompanhado por um molho doce. Para a sobremesa eu pedi o Khanom tom que é feita a base de coco, farinha de arroz e outros ingredientes e pra beber um vinho branco, por que eu não acho que ela vá gostar das bebidas tipicamente tailandesas. – Bem, está feito. Eu realmente espero que você goste – Falei, realmente torcendo para que ele gostasse de tudo. Do lugar, da comida, mas principalmente da companhia.
Nós ficamos um tempo calados. Era tudo tão diferente de quando estávamos na vinícola. Ela conversava abertamente e tão à vontade. Mesmo eu estava tenso e eu não sabia se esse clima se dava ao fato dela estar se sentindo fora do seu lugar ou por que no fundo ela ainda está chateada por eu não ter ligado pra ela esse tempo todo e depois aparecer de repente e forçá-la a esse encontro. Trocamos apenas algumas palavras sobre a decoração da sala e o maître retornou com o nosso vinho. Depois de nos servir, deixou-nos a sós.
- A esta noite – eu falei erguendo a taça para um brinde. Ela imitou meu gesto tocando a sua taça na minha. Então ela ficou em silêncio de novo. Um silencio que me incomodava e que eu queria pôr um fim – Eu senti sua falta. – eu disse.
- Você não ligou – ela acusou e então se apressou em explicar – eu não estou cobrando nada, claro. Eu mesma disse a você que era melhor você não ligar. É só que você disse que sentiu a minha falta, então eu pensei que se fosse verdade você teria ligado. – ela franziu o cenho – acho que agora eu estou tagarelando. – concluiu.
- Eu entendo como isso parece pra você. Mas eu achei que estava fazendo o melhor pra você em me manter distante.
- E você não pensa mais assim?
- Eu ainda penso exatamente assim. – afirmei apenas para assistir a tristeza atravessar o seu olhar.
- Então por que estamos aqui?
Ela tinha um ponto e eu não sabia muito bem como explicar. Após algum tempo olhando para ela e lutando contra todos os meus instintos, decidi ser honesto – Por que, mesmo sabendo que não é o melhor pra você, eu não consigo deixar você ir, Guilhermina.
Ela me olhou confusa e nós ficamos assim por algum tempo até que um garçom entrou para servir a entrada. Quando ele saiu, ela disse – eu pesquisei você na internet.
Meu garfo parou a poucos centímetros da minha boca. Não que fosse um problema ela me ver on line, não havia nenhuma referência aos negócios escusos da família. As pessoas que sabiam jamais iriam comprar uma briga conosco postando coisas negativas sobre nós na internet. – Você não devia levar em conta o que está lá.
- Então é mentira que você tem um irmão e uma irmã mais novos?
- Não.
- É mentira que a sua família possui um banco?
- É verdade.
- Não é verdade que vocês possuem um montadora de veículos?
- É sim.
- Viu? Nem tudo é mentira. Mas eu sou capaz de jurar que você vai dizer que é mentira que você dormiu com todas aquelas mulheres que aparecem em eventos sociais com você.
Eu sorri com sua astúcia e com a sua tentativa de brincar. Aos poucos ela estava relaxando e sendo mais como ela mesma. – Isso é mentira.
- Eu imaginei que diria isso. – Ela sorriu daquele jeito que tira o chão sob os meus pés e eu fiquei ali encantado olhando para ela, que de repente ficou bem consciente da maneira como eu a olhava, então voltou a comer. – Você tem uma bonita família – falou depois de algum tempo. – Como é a sua relação com os seus irmãos? – ela estava mesmo curiosa ou queria apenas puxar assunto?
- Minha irmã é uma jovenzinha irritante – eu falei, mas tinha um sorriso no rosto. Eu adorava os dois. – E meu irmão não é muito diferente. Ele tem a mania de invadir meu apartamento às vezes. Principalmente nas primeiras horas da manhã. Eu sempre me assusto. – Eu não mencionei que já apontei armas para ele diversas vezes por causa disso.
- E o que há com todo o seu exército de seguranças? – ela questionou no mesmo tom descontraído de antes. Ela era refrescante e esse seu jeito me transportava de volta para a vinícola.
- São cúmplices dele.
- Você deveria demiti-los então.
- Eu vou pensar sobre isso.
A conversa seguiu nesse clima agradável. Eu falei um pouco dos meus pais e irmãos e ela me falou do seu pai que morreu há poucos anos. Sua mãe morreu quando ela era pequena, então ela foi criada na vinícola pelo pai apenas – Qual é o seu nome de família?
- Ambone.
- Guilhermina Ambone. – pronunciei, experimentando como soava – É um belo nome.
- Obrigada.
O jantar estava chegando ao fim, mas eu não queria que ele terminasse. Na verdade, eu queria levá-la para minha casa e eu tinha que ter muito autocontrole para não fazê-lo. – Eu pensei que nós podíamos dar uma volta pelo parque antes de voltar para casa. Eu ainda não estou pronto para deixar você ir. – Confessei.
- Tudo bem – ela concordou.







