CAPÍTULO 2.1

Luca

           

Antony Mazza foi quem abriu a porta da mansão pra mim. Ele me levou para a sala de estar e me serviu uma bebida enquanto aguardávamos que Guilhermina descesse. Desde o momento que eu entrei, sabia que Antony queria falar sobre ela. Então quando ele começou a dar voltas para entrar no assunto eu decidi ajudá-lo – Por que você não diz logo o que você quer dizer, cara?

            Ele pigarreou e tomou um longo gole da sua bebida antes de falar – Guilhermina é adulta, Luca, e eu não vou fazer todo aquele discurso que eu fiz no hospital naquele dia. Eu confio em você. Então, tudo que eu vou pedir é: Vá devagar, cuide dela e não a machuque.

- Anotado. – Foi tudo que eu pude dizer antes que Guilhermina aparecesse. Ela estava linda, aliás como ela sempre foi, mas sua beleza estava requintada, embora sem excessos. Ela era uma bela visão e eu sabia que se não saíssemos logo eu estaria em maus lençóis para disfarçar toda a minha empolgação. – Oi – Eu disse um pouco engasgado com tamanha beleza.

- Oi – ela respondeu tímida e nós ficamos ali olhando um para o outro por alguns segundos como se estivéssemos completamente sozinhos. Até que alguém pigarreou e eu me dei conta de que Penélope e Giovanna estavam logo atrás dela. – Olá senhoras.

- Oi, Luca – as duas responderam em uníssono, arrancando uma gargalhada de Antony.

Então eu voltei a olhar pra Guilhermina de novo – Você está linda. – Eu tinha que dizer isso.

- Obrigada. – ela olhou em volta, bastante autoconsciente – podemos ir?

Deus, ela queria fugir dali tanto quanto eu queria. – Claro. – eu a ajudei a colocar o casaco e nós saímos da mansão sob três pares de olhares curiosos.

Meus dois veículos estavam estacionados no pátio em frente à casa. Ao lado do primeiro, um Bentley, Demétrius esperava de pé para abrir a porta, vestido em seu terno preto elegante. O carro de trás estava com os outros rapazes.

- Boa noite, senhorita. – Dem cumprimentou quando nos aproximamos.

- Oh! Boa noite, Demétrius. – ela era gentil com todos os meus homens. Quando eu estava na vinícola, lembro-me de me sentir um pouco enciumado pela maneira que ela os tratava, mas logo me dei conta de que ela estava apenas sendo gentil. Com Demétrius, no entanto, eu nunca senti um pingo de ciúmes. Eu confiava a ele a minha vida, assim eu também confiava ela.

Ele abriu a porta e ela entrou, enquanto eu dava a volta para entrar pelo outro lado. Demétrius acomodou-se no lugar do motorista e deu partida, nos levando em direção ao restaurante que eu havia escolhido para nós esta noite.

O silêncio pairava no pequeno espaço do carro. Ela estava claramente tensa. Mas eu esperava ansioso que, até o final da noite, ela relaxasse comigo, como ela era na vinícola. Talvez fosse por que ela se sentia em casa lá. Sua agitação era compreensível, mesmo eu estava tenso, o que era uma sensação nova pra mim no que diz respeito a encontros. Eu sou um cara confiante, sempre fui, e a maioria dos encontros que eu tive tinha o único objetivo de foder alguém.  Mas Guilhermina é diferente. Ela é doce, delicada e, se todas as minhas suspeitas estiverem corretas, ela é virgem. Eu não quero ser um cafajeste a levando para a cama e depois desaparecendo da vida dela. Eu não tentaria nada até que ela soubesse exatamente quem eu sou, o que eu faço e por que que nós não podemos ficar juntos. Então será uma escolha dela. Mas, enquanto isso não acontece, tudo o que eu quero é estar um pouco com ela.

Demétrius me perguntou quando voltávamos para casa após o almoço em comemoração ao batismo do garoto – Que merda você está fazendo?

A minha resposta foi – Eu estou tocando o foda-se.

Ele não disse nada mais depois disso, mas eu sabia que logo iria ouvir um “eu te avisei”. Bem, que venha então.

- São seus guarda-costas ali atrás? – perguntou referindo-se ao carro que nos seguia de perto.

- Sim. Não se preocupe com eles.

- Aonde nós estamos indo? Não que eu vá conhecer de qualquer maneira. É apenas curiosidade.

- Eu tomei a liberdade de escolher um restaurante Tailandês. Você disse que não conhecia muito outras culinárias. Pensei que você gostaria de experimentar algo diferente.

- Sim. Eu nunca comi comida Tailandesa.

- O cardápio lá é muito rico. Não acho que você vai ter problema em encontrar algo de que você goste.

- Sr. Sartori...

- Luca.

- Luca, eu não quero envergonhar você na frente dos seus pares. Eu quero deixar isso muito claro, por que eu não sei se você tem ideia do que está acontecendo aqui.

- O que está acontecendo aqui além do fato de que eu estou indo levar uma bella ragazza para jantar?

- Uma bella ragazza que nunca saiu do vilarejo em que mora, com exceção de algumas vindas à Milão com os Mazzas. – ela suspirou – Eu quero que você tenha total consciência disso e se em algum momento eu estiver fazendo algo errado ou ridículo, é só me falar. Hai capito?

- Ho capito. Mas isso não vai acontecer. – Por um instante eu me arrependi de ter escolhido um restaurante para levá-la. Não que eu estivesse preocupado em ser constrangido por ela. Não se tratava disso. Eu não queria deixava desconfortável. Mas, eu também sabia que eu não poderia tê-la em meu apartamento e manter minhas mãos longe dela. Então a decisão mais acertada foi sair com ela para um restaurante. – Você não tem que se preocupar com isso, Guilhermina, eu falo muito sério. Esqueça onde está e esqueça as pessoas. Somos eu e você esta noite.

Eu sabia que nas minhas palavras haviam mais promessas do que eu deveria permitir-me fazer. Mas eu estava disposto a fazer tudo para que ela se sentisse à vontade comigo. Guilhermina despertava essa coisa em mim, essa necessidade de agradá-la, de ser melhor, de fazer melhor. Era apenas o efeito Guilhermina.

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