Mundo de ficçãoIniciar sessãoNinguém acorda em uma manhã qualquer esperando ser parada no estacionamento do trabalho por um bilionário desesperado. Hannah Brooks certamente não esperava. Focada em sobreviver ao último ano da faculdade e manter um noivado morno, ela se vê encurralada por Cael Sterling, um CEO poderoso de 38 anos que a quer — como babá do filho dele. Após uma cena caótica em uma lanchonete, onde Hannah foi a única capaz de acalmar o pequeno Theo, Cael colocou na cabeça que aquela garçonete atrevida e de sorriso fácil era a solução para os seus problemas. Ele só não contava que ela o trataria como um completo lunático e ainda o apelidaria de Sugar Daddy. Mas quando os planos de Hannah desmoronam abruptamente, o caos planejado de Cael se torna seu único refúgio. Agora, trancados no mesmo universo, a convivência forçada se transforma em um campo de batalha. Hannah é o sol; Cael é a tempestade. O choque entre a irreverência dela e o controle rígido dele acende uma faísca perigosa. O que começa com implicância mútua logo evolui para uma tensão sexual insuportável. Em meio a ciúmes possessivos e uma obsessão crescente, eles estão prestes a descobrir que o maior perigo de quebrar as regras é não querer mais voltar atrás.
Ler maisHannah Brooks
Se alguém me dissesse que o auge dos meus vinte e três anos seria resumido a disputar um cabo de guerra contra um ciclone por causa de um guarda-chuva de dez dólares — e perder —, eu teria rido. Mas aqui estava eu: ensopada até a alma, equilibrando três sacolas plásticas pesadas que cortavam a circulação dos meus dedos, enquanto tentava enfiar a chave na fechadura de casa. A chave, claro, decidiu fazer greve. Quando eu era criança, assistia aos filmes da Disney e genuinamente achava que seria a princesa salva por um príncipe em um cavalo branco. Hoje? Não acredito em príncipes, e meu ranço por cavalos é vitalício, cortesia de um tombo homérico num passeio escolar aos quinze anos. A realidade é um balde de água fria. Ou, no meu caso atual, uma tempestade inteira. A porta finalmente destrancou com um estalo seco. Entrei deixando um rastro de lama no tapete, parecendo uma versão piorada da Samara saindo do poço. Na sala, o cenário de sempre. Meu pai estava fundido ao sofá, hipnotizado por um jogo de futebol qualquer, enquanto minha mãe tricotava na poltrona como se o mundo não estivesse desabando lá fora. Ela ergueu os olhos, me avaliando de cima a baixo com um sorriso perfeitamente ensaiado. — Hannah, querida, finalmente — disse ela, sem mover um músculo para me ajudar com as sacolas que rasgavam nas minhas mãos. — Sua irmã estava perguntando por você. Algo sobre precisar de duzentos dólares emprestados. — Que bom que ela tem expectativas — mutilei entre dentes, ignorando o comentário e seguindo direto para a cozinha "Empréstimo", na linguagem da Amelie, significava doação compulsória sem direito a reembolso. Deixei as compras na bancada e respirei fundo ao olhar para a pia. Uma cordilheira de pratos, copos e panelas gordurosas me encarava de volta. Se eu não lavasse, aquela louça criaria ecossistema próprio e exigiria direitos trabalhistas. Mas hoje não. Eu tinha uma prova de macroeconomia na manhã seguinte que definiria se eu continuaria na faculdade ou se passaria o resto da vida fritando hambúrguer. Guartei as compras no piloto automático, peguei uma maçã para enganar o estômago e comecei a subir os degraus, rezando para ser invisível. Não funcionou. — Hannah, querida? — a voz da minha mãe ecoou da sala, cirúrgica. — Onde vai? Não vai preparar o jantar? E não esqueça da louça na pia. Parei no meio da escada. Olhei para as minhas roupas coladas ao corpo, para o meu cabelo pingando no chão e me virei. — A Amelie tem duas mãos funcionais, mãe. Ela pode muito bem fazer os dois. Preciso estudar para uma prova importante amanhã. O tom da minha mãe mudou instantaneamente, ganhando aquela rigidez defensiva de sempre. — Não fale assim da sua irmã. Você sabe que a nossa Mel é sensível. Ela tem alergias severas e não pode nem chegar perto de detergente. E quanto ao jantar, ela não sabe cozinhar. — A Amelie não tem alergia, mãe. Ela tem preguiça crônica. São diagnósticos bem diferentes — respondi, sem um pingo de paciência. — E para o jantar, existe delivery. Girei nos calcanhares antes que ela pudesse começar o melodrama, subi o resto dos degraus e bati a porta do quarto, trancando-a em seguida. Se eu não tomasse um banho fervendo nos próximos cinco minutos, a pneumonia deixaria de ser um risco e viraria uma certeza. Viver sob o teto dos meus pais era um exercício diário de sobrevivência psicológica. A dinâmica da nossa casa não era apenas complicada; era o Groundhog Day do favoritismo. Desde que me entendo por gente, o roteiro era o mesmo: Amelie era a porcelana frágil que precisava ser guardada na cristaleira; eu era o trator que aguentava o tranco. Se você está se perguntando por que uma mulher de vinte e três anos ainda se sujeita a isso, a resposta tem cinco letras: D-I-N-H-E-I-R-O. Ou a falta dele. Meu salário de meio período na lanchonete do centro mal dá para cobrir a mensalidade da faculdade e os custos dos meus próprios livros, embora eu ainda tente ajudar com as contas de luz para não ouvir piadas. Minha mãe está desempregada há tanto tempo que acho que esqueceu o que é um currículo. Meu pai se desdobra como contador em um escritório médio. E Amelie? Bem, ela continua sendo "jovem demais para o estresse do mercado de trabalho". Sair daqui agora era um suicídio financeiro. Minha única luz no fim do túnel era o casamento. Ryan e eu estávamos juntos há pouco mais de dois anos. Ele apareceu na lanchonete em um dos meus piores dias, pediu um café puro e um sorriso, e acabou levando meu número. Seis meses atrás, durante um jantar na casa dos pais dele, ele me deu um anel simples, mas que representava a minha carta de alforria. Eu aceitei sem hesitar. Eu o amava. Ele era a única parte da minha vida que não parecia uma obrigação exaustiva. Saí do banho, vesti um moletom velho e desbotado e me joguei na cama. Meu celular, que tinha ficado carregando, vibrou na escrivaninha. Uma mensagem do Ryan. "Pensando em você." Logo abaixo, uma foto borrada de um novo esboço em que ele estava trabalhando. Ryan era um artista de alma livre — o que, na prática, significa que ele é um aspirante a pintor e músico que atualmente paga o aluguel repondo caixas de cereal no Walmart na escala da madrugada. Ele ainda não teve sua grande chance, e o nosso casamento esta sendo adiado há meses porque nenhum de nós consegue pagar as taxas do cartório, quem dirá uma festa. Mas olhando para a foto dele com os dedos sujos de grafite e aquele sorriso torto que desarma qualquer mau humor meu, eu não me importo. Eu acredito no talento dele. E, honestamente, no meio do meu caos diário, saber que alguém esta do meu lado faz o guarda-chuva quebrado e a louça suja parecerem problemas absurdamente pequenos.Cael Sterling.Péssima ideia.Sem duvidas, foi uma péssima ideia em níveis quase artísticos levar Theo à lanchonete… e pior ainda ter aberto a boca para soltar aquela besteira de que iríamos encontrar “a moça bonita da lanchonete” bem na frente dele.Porque, sinceramente, o que se seguiu foi um espetáculo particular de constrangimento. Eu precisei passar as duas horas seguintes tentando convencer o meu próprio filho de que eu havia me confundido — confundido, veja só — enquanto ele se entupia de doces, sorvete e qualquer coisa carregada de açúcar que eu, em um universo minimamente responsável, jamais permitiria.No fim, não consegui nem sequer vê-la.Droga.Eu realmente achei que, vindo mais apresentável do que na noite passada — cabelo no lugar, roupa decente, um mínimo de dignidade intacta — ela me daria a chance de explicar minha proposta. Achei que trazer Theo ajudaria. Que ele, com aquele jeito dele, arrancaria dela ao menos
● Hannah Brooks ●A noite passou rápido demais — rápido num nível quase ofensivo, como se tivesse escorrido pelos meus dedos sem pedir licença. E, em teoria, eu deveria estar bem agora. Descansada. Leve. Com a mente limpa, como alguém que saiu, distraiu a cabeça e ainda teve o luxo de acordar tarde por não ter aula na faculdade.Era o plano perfeito.Mas meu corpo claramente não recebeu esse memorando.Porque, em vez disso, eu me sinto como se tivesse sido atropelada por um caminhão… enquanto corria uma maratona depois de encher a cara em um bar qualquer. E tudo isso graças aquele maluco. O que me parou no estacionamento da lanchonete ontem a noite. Sim é culpa dele, eu ter passado a noite inteira em uma maldita vigília não planejada, por que aquele maniaco estava parado, como um maldito espírito obsessor em frente ao prédio onde Jane mora. Ela não o viu, claro que não, estava bêbada demais para se lembrar de algo.
Cael Sterling Porra, eu não sei em que abismo mental eu estava para me prestar a um papel tão ridículo. Patético, na verdade. O desespero faz a gente tomar decisões que a razão nunca assinaria em sã consciência, mas... o que caralhos eu acabei de fazer? Abordar uma desconhecida no estacionamento do trabalho dela, no meio da noite, para propor que ela seja a babá do meu filho. Se alguém me contasse uma merda dessas, eu diria que era um roteiro péssimo de comédia romântica barata. E, ainda assim, essa não foi a pior parte do meu dia. A forma como aquela garota me encarou, me desafiando sem piscar, não lembrava em nada a mulher de poucas horas atrás. A mesma que se abaixou para falar com o Theo na altura dos olhos, que teve paciência para ouvir as histórias desconexas dele e que, em cinco minutos, arrancou do meu filho um sorriso que eu não via há dias. Que inferno. Ela foi insolente, afiada, quase agressiva comigo. Mas tinha sido doce com o Theo. Duas versões completam
Hannah Brooks. Ele bufa, inflando o peito como um touro prestes a investir, e me encara com a raiva faiscando nos olhos. — Eu não sou a porra de um advogado, não sou líder de culto e muito menos alguém que se prestaria ao papel de sugar daddy de alguém, garota. — a voz dele sai firme, carregada de uma convicção quase agressiva. — Como alguém consegue pensar tanta besteira em tão pouco tempo? — Olha aqui, seu neandertal — retruco, já no limite da paciência. — São quase nove da noite. Eu acabei de sair de um turno de oito horas em pé, ouvindo cliente insuportável reclamar de tudo, e um homem de meia-idade dando um chilique por causa da porra de um brinquedo que veio errado. Dou um passo em sua direção, encarando-o com fúria. Ele recua instintivamente, um único passo, mas o suficiente para eu perceber. — Depois de um dia infernal desses, eu definitivamente não preciso de um idiota aleatório me dizendo que eu só falo besteira. Sai da frente. Minha voz sai mais dura do que eu preten
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