Contratei uma babá e ela era a mãe da minha filha

Contratei uma babá e ela era a mãe da minha filhaPT

Romance
Última atualização: 2026-07-03
Érica Christieh   Atualizado agora
goodnovel16goodnovel
0
Avaliações insuficientes
10Capítulos
12leituras
Ler
Adicionado
Resumo
Índice

Clarice perdeu tudo em uma noite. O marido arrancou sua filha recém-nascida dos seus braços e a deixou para morrer. O mundo acreditou. Ela sobreviveu. Três anos procurando. Três anos escondida. Até descobrir que sua filha estava viva, amada e chamava outro homem de pai. Gabriel Lancaster. Bilionário. Poderoso. E o único obstáculo entre ela e a filha que nunca esqueceu. Sem provas e sem nome, Clarice fez o único coisa que podia fazer. Entrou na casa dele como babá. O plano era simples. Mas ninguém planeja se apaixonar pelo homem errado. E ninguém consegue esconder para sempre um segredo do tamanho de uma filha.

Ler mais

Capítulo 1

Capítulo um

— Por favor, tire esse bebê de dentro de mim — a mulher passou em uma cadeira de rodas ao meu lado, gritando essas palavras.

As outras pacientes se entreolharam com olhos arregalados e assustados, mas não disseram nada. Minhas mãos tremiam enquanto eu agarrava o braço da cadeira de metal, sentindo as contrações indo e vindo cada vez mais fortes. Sim, eu estava pronta para ter o meu bebê.

Calma, Clarice. Você consegue.

Mentira, eu não conseguia, mas também não tinha escolha.

Meu marido, Murilo, sabia que eu estava perto de ter a nossa filha, mas ele tinha uma viagem de negócios e sumiu por dias sem me dar nenhuma notícia. Estávamos juntos há cinco anos; ele era a única família que eu tinha. A escolha de se casar não foi minha, muito menos do Murilo, foi um desejo do meu pai antes de morrer, que escolheu meu marido pelas qualidades que ele dizia ver nele… Ele era perfeito para administrar minha herança.

Sempre evitei dramas, agarrando-me a alguma esperança patética de que o Murilo ainda me via como sua esposa. Mas agora ele não estava presente, mesmo sabendo que um filho nos uniria para sempre.

O tremor passou para minhas pernas, o chão se inclinou e um grito rasgou minha garganta no segundo seguinte. Duas mãos fortes me agarraram e me arrastaram para uma sala de cirurgia. O cheiro do álcool invadiu minhas narinas, meu estômago revirou. O lugar ficou em silêncio, parecia ficar menor e mais quente a cada contração; eu mal conseguia respirar direito.

Abri os meus olhos quando encarei um rosto familiar à minha frente: era o Murilo. Senti o peso do olhar dele; ele me odiava, não conseguia sorrir nem no nascimento da própria filha. Anos de casamento e ele nunca me deu o mínimo necessário. Nossa união existia apenas em documentos legais.

Abri os lábios para perguntar como ele havia chegado tão rápido e como sabia que eu estava em trabalho de parto, quando a dor rompeu minha voz.

— Já que decidiu dar à luz agora, faça isso o mais rápido possível — a frieza no tom dele me arrepiou, se misturando à dor que se alastrava por todo o meu corpo. Ele não segurou minha mão, apenas assistiu distante enquanto eu sofria sozinha.

— Só mais um pouco, Clarice, ela está quase nascendo. — O médico olhou para mim, a cabeça entre minhas pernas, e quando ele pegou o bisturi, eu soube que havia chegado a hora.

Eu não o senti me cortar, mas senti quando coloquei mais força e a criança saiu de dentro de mim. O choro abafado invadiu meus ouvidos; chorei em silêncio, um suspiro silencioso escapando direto do meu peito.

— Por favor, deixe-me segurar a minha filha — tentei mexer os braços para alcançá-la, mas estava sem força. O médico se aproximou e a deitou em meu peito. Ela era perfeita, esfreguei o cheiro dela no meu rosto; ela seria para sempre parte da minha alma. Minha peça que faltava.

— Doutor, agora — Murilo disse, a expressão dura, indecifrável —, pegue o bebê e mate-a quando terminar.

— O quê? — Meu sussurro foi quase silencioso. Os olhos do Murilo se voltaram para mim por um breve momento, sua expressão fria em indiferença. Ele me encarou enquanto jogava o paletó de lado e erguia as mangas da camisa branca.

Olhei para o médico se aproximando, seu olhar triste enquanto esticava as mãos para tirar a minha filha de mim. Aquilo era uma brincadeira? Murilo não queria dizer isso, aquele era o nosso bebê. Por que ele me queria morta?

— Por favor, não faça isso — implorei, minha voz tremendo com todas as perguntas que eu não podia fazer. Debati-me enquanto o médico arrancava minha filha dos meus braços. — Sou sua esposa, Murilo, por favor, por que está fazendo isso?

Ele parou, finalmente me olhando, seu olhar perigoso e afiado. A porta da sala rangeu e minha postura desmoronou completamente. Não precisei me virar, eu já sabia quem era só pelo cheiro: a amante do meu marido estava presente.

— Me dê a criança — a voz de Amélia, doce porém venenosa, quebrou o silêncio. Ela entrou no quarto, os saltos batendo no chão, cada passo uma lembrança de que ela era a mulher que Murilo realmente amava, seus braços esticados para segurar minha filha.

— Não — engasguei as palavras, enquanto o horror florescia em meus olhos —, devolva a minha filha imediatamente.

— Ela não é mais sua filha — as palavras de Murilo me atingiram como um soco no estômago; ele se inclinou, suas mãos afundando o colchão ao meu lado —, a Amélia sempre sonhou em ter uma filha, mas sabíamos que ela não podia ter uma. Ela será uma mãe melhor do que você.

Levantei a cabeça para encarar as feições afiadas de Murilo. Como alguém podia ser tão cruel? Ser traída, tratada como lixo e ver sua filha arrancada de seus braços? Cinco anos amando Murilo haviam me esvaziado. Suportei sua traição, sua ausência e pensei que dar um filho a ele o faria desistir de tudo para ficar ao meu lado, mas errei outra vez.

Lágrimas queimaram os meus olhos, escorrendo livremente quando olhei para minha filha mais uma vez. Recusei-me a deixá-los levá-la, pelo motivo que fosse. Eu tentava me erguer, eu queria lutar. Eu não ia chorar agora. Lágrimas não me ajudariam a salvar a minha filha.

— Não a deixe escapar — Amélia ordenou. Soube então que ela não queria que eu sobrevivesse. — Eu não deveria fazer promessas para uma mulher como você, mas essa criança será amada. Você já pode morrer em paz.

Fiquei paralisada quando Murilo se aproximou dela e a beijou nos lábios. Não era nenhum segredo que ele me traía com aquela mulher, mas eu me culpava por não perceber seu plano maldito. Ele me mataria para ficar com minha filha e minha herança.

Amélia segurou minha filha com mais força em seus braços enquanto o sorriso presunçoso firmava-se em seu rosto, pronta para partir. — Diremos que você morreu no parto. Será um funeral inesquecível, eu prometo. — Ela girou os calcanhares em direção à saída, quando eu gritei.

Mãos grandes e fortes me agarraram outra vez, puxando-me de volta para a cama. Lutei pelo tempo que consegui. Um homem segurou meu pulso enquanto eu me contorcia. Uma agulha perfurou minha veia, um líquido percorreu o tubo fino e invadiu meu sangue.

— O que é isso? O que você está fazendo? — Minha voz falhando, o medo quase me nocauteando.

— Você terá uma morte rápida e sem dor, Clarice — a voz grave do médico ressoou pelo quarto, mas ele não se divertia —, eu prometo que não deixarei você sofrer.

Eu ainda consegui tirar a agulha da minha veia, mas o veneno já havia entrado em meu corpo. Tentei me livrar das amarras e implorar por ajuda. Fiquei rígida, meu rosto perdendo a cor instantaneamente. Era tarde demais.

Eles levaram minha filha e me deixaram para morrer. Senti minha vida escapando lentamente pelos meus olhos.

Talvez esse fosse o meu fim, antes de a escuridão finalmente chegar.

Mais
Próximo Capítulo
Baixar

Último capítulo

Mais Capítulos

Você também vai gostar de

Nuevas novelas de lanzamiento

Último capítulo

Não há comentários
10 chapters
Capítulo um
Capítulo dois
Capítulo três
Capítulo quatro
Capítulo cinco
Capítulo seis
Capítulo sete
Capítulo oito
Capítulo nove
Capítulo dez
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App