Mundo ficciónIniciar sesiónDepois de passar quinze anos em um orfanato na periferia de Livorno, Cecília Maria Valenti acredita que finalmente encontrou seu destino: uma vida simples em um convento. Sem família, sem dinheiro e sem ninguém para chamá-la de sua, ela está prestes a aceitar o único futuro que lhe foi oferecido. Mas um anúncio de emprego encontrado por acaso muda tudo. Determinada a conquistar sua independência, Cecília embarca rumo à imponente propriedade da família Moretti, no coração da Toscana, para disputar uma vaga como babá. O que ela não esperava era encontrar Matteo e Merliah, dois gêmeos de cinco anos especialistas em transformar a vida de qualquer babá em um verdadeiro pesadelo. Travessuras, armadilhas e pegadinhas fazem parte da rotina das crianças, que já conseguiram expulsar dezenas de cuidadoras. Como se isso não bastasse, o pai dos gêmeos é Marcello Moretti, um CEO poderoso, fazendeiro milionário e viúvo amargurado que ergueu muralhas ao redor do próprio coração depois da morte da esposa, Larissa, durante o parto dos filhos. Frio, arrogante e acostumado a controlar tudo ao seu redor, ele não está preparado para a chegada da jovem órfã que se recusa a ter medo dele. Enquanto Cecília tenta conquistar a confiança das crianças e sobreviver ao temperamento difícil de Marcello, sentimentos inesperados começam a surgir entre os dois. Porém, segredos enterrados há mais de vinte anos ameaçam mudar tudo o que eles acreditam saber sobre suas famílias. Em meio aos vinhedos da Toscana, entre risos, lágrimas, segundas chances e um amor capaz de curar feridas antigas, Cecília descobrirá que algumas famílias não são aquelas em que nascemos, mas aquelas que escolhemos construir. Uma Órfã na Toscana – Apaixonada pelo CEO Fazendeiro é um romance emocionante sobre recomeços, maternidade do coração, segredos do passado e a força transformadora do amor.
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A trigésima nona babá pediu demissão numa terça-feira. A essa altura, eu já deveria estar acostumado. Mesmo assim, observei a mulher atravessar o pátio principal da propriedade arrastando duas malas enormes e reclamando tão alto que provavelmente metade dos funcionários da vinícola conseguia ouvi-la. Permaneci parado na varanda da casa principal, segurando uma xícara de café que já estava fria havia mais de uma hora. — Senhor Moretti, eu não vou ficar nem mais um dia nesta casa. — O contrato prevê aviso prévio. Ela soltou uma gargalhada sem humor. — Então desconte do meu salário. — Posso aumentar seu salário. — Não. — Dobrar. — Não. — Triplicar. A mulher parou no meio do caminho e se virou para mim. Pela expressão dela, eu teria mais sorte negociando com um banco. — O senhor está me ouvindo? — Estou. — Dinheiro nenhum no mundo vale o que eu passei aqui. Suspirei. Aquilo estava ficando repetitivo. Todas elas diziam a mesma coisa. Todas. Sem exceção. — Eles são crianças. — Crianças? Ela abriu uma das malas e puxou um sapato feminino. Apenas um. — Encontrei o outro dentro do galinheiro. Fechei os olhos por um segundo. — Entendo. — Não, o senhor não entende. Ela puxou uma cobra de borracha da bolsa. — Isso apareceu na minha cama. Depois tirou uma fotografia. — E alguém desenhou bigodes em todas as fotos da minha família. Passei a mão pelo rosto. Eu nem precisava perguntar quem tinha feito aquilo. Sabia exatamente quem eram os culpados. Uma gargalhada ecoou acima das nossas cabeças. Ergui os olhos. Matteo e Merliah estavam sentados sobre o telhado da garagem. Os dois tinham os mesmos cabelos loiros, os mesmos olhos azuis e exatamente a mesma expressão de inocência. A expressão era uma mentira. Eu sabia. Porque eram meus filhos. — Vocês dois. Os gêmeos sorriram ao mesmo tempo. Aquilo nunca era um bom sinal. — Sim, papai? — Querem me explicar o que aconteceu? — Não sabemos. — Não fazemos ideia. — Claro que não. A babá apontou para eles como se estivesse mostrando provas de um crime. — Está vendo? — Estou. — Eles fazem isso o tempo todo! — Fazer o quê? — Parecer anjinhos! Merliah colocou a mão no peito. — Eu estou ofendida. Matteo concordou com a cabeça. — Muito ofendido. A mulher soltou um som de puro desespero. Cinco minutos depois, ela entrou no carro e foi embora. Eu a observei desaparecer pela estrada principal sem sentir nada além de irritação. Mais uma entrevista. Mais uma contratação. Mais um problema para resolver. A porta da casa se abriu atrás de mim. Nem precisei me virar para saber que era minha mãe. — Outra foi embora? — Como pode perceber. — O que vocês fizeram desta vez? — ela perguntou para os netos. — Nada! — responderam os dois em uníssono. — Mentira! — gritou a babá pela janela do carro antes de desaparecer na estrada. Os dois começaram a rir. Minha mãe tentou esconder um sorriso. Meu pai surgiu logo atrás dela carregando uma xícara de café. — Admito que essa durou mais do que eu esperava. — Duas semanas. — Um novo recorde. Revirei os olhos. — Vocês dois não ajudam. — Nós ajudamos muito mais do que você — respondeu minha mãe. Ignorei o comentário. Porque já sabia onde aquela conversa iria parar. Sempre parava no mesmo lugar. Os gêmeos. Minha falta de jeito com eles. Minha ausência. Minha incapacidade de demonstrar sentimentos. Francamente, eu estava cansado de ouvir sobre isso. Amava meus filhos. Não precisava repetir aquilo para ninguém. Trabalhava todos os dias para garantir que eles tivessem tudo. A melhor casa. As melhores escolas. A melhor vida possível. Se aquilo não era amor, então eu não sabia o que era. — A nova candidata chega amanhã — anunciou minha mãe. Soltei uma risada seca. — Já contrataram outra? — Ainda não. — Então por que está falando como se fosse certo? — Porque ela vem. Balancei a cabeça. — Não vai durar uma semana. — Talvez seja diferente. — Não é. — Você nem a conhece. Olhei para Matteo e Merliah, que naquele exato momento cochichavam alguma coisa enquanto apontavam para um dos tratores da propriedade. Aquilo nunca terminava bem. Então voltei minha atenção para os vinhedos que se estendiam até onde a vista alcançava. O sol começava a desaparecer atrás das colinas da Toscana. A propriedade inteira parecia tranquila. Bonita. Perfeita. Uma mentira completa. — Ninguém fica — murmurei. Minha mãe não respondeu. Mas eu sabia que ela tinha ouvido. Porque aquela frase nunca foi sobre as babás. E, até aquele momento, eu realmente acreditava nela.Cecília O silêncio na sala de estar após a saída das crianças era quase palpável. Eu continuava de pé, no centro do tapete luxuoso, segurando a alça da minha bolsa como se ela fosse o meu único ponto de ancoragem naquele lugar que parecia saído de uma novela. A Sra. Leonor me olhavacom uma mistura de melancolia e espanto, enquanto o Sr. Gallardini mantinha as mãos nos bolsos da calça, a testa franzida em um vinco profundo. — Por favor, Cecília... sente-se — a Sra. Leonor pediu, sua voz agora um pouco mais firme, apontando para a poltrona de veludo à sua frente. Caminhei até o móvel e me sentei na ponta do estofado, mantendo a postura tensa. Eu não conseguia mais fingir demência ou normalidade diante de todo aquele mistério. O nó no meu estômago estava prestes a virar um buraco de ansiedade. — Sra. Leonor, Sr. Gallardini... por favor, me desculpem, mas eu não estou entendendo nada — desabafei, olhando de um para o outro, sentindo minhas bochechas arderem. — Eu fiz alguma
Cecília O silêncio que se instalou na entrada da mansão era tão denso que eu podia ouvir o cascalho sob os meus sapatos se acomodando. Eu continuava estática, com os braços semiabertos, enquanto a Sra. Leonor me encarava como se estivesse diante de uma assombração. O arrepio que subira pela minha espinha ainda não tinha ido embora. — O que está acontecendo aqui? Leonor? — uma voz firme, mas visivelmente preocupada, quebrou o transe. Vindo de dentro da casa, um senhor de cabelos brancos e postura imponente desceu os últimos degraus do hall interno. O Sr. Gallardini olhou para a esposa, notando seu tremor e a palidez cadavérica, e depois para os netos, que pareciam assustados. Por fim, seus olhos pousaram em mim. Ele começou a desviar o olhar, como se fosse apenas registrar a minha presença ali, mas sua cabeça chicoteou de volta na minha direção em uma fração de segundo. Seus olhos se arregalaram. Vi suas mãos se contraírem ao lado do corpo e ele deu um passo curto para trás, o
O trajeto até a mansão dos avós maternos foi feito em um silêncio quase solene. Matteo e Merliah, que costumavam transformar o banco de trás do carro em uma verdadeira pista de testes para seus brinquedos e cantorias, passavam a maior parte do tempo olhando fixamente pela janela, imersos em seus próprios pensamentos infantis. Eu os observava pelo retrovisor interno, sentindo o peso daquela expectativa silenciosa que Marcello havia me alertado na biblioteca. Quando o imponente portão de ferro fundido se abriu, revelando os jardins perfeitamente desenhados da propriedade dos Gallardini, uma lufada de ar fresco pareceu invadir o veículo. O carro seguiu pela longa alameda de cascalho até parar suavemente diante da fachada imensa e clássica da mansão. E ela já estava lá. Postada exatamente no topo da escadaria de mármore, a Sra. Leonor aguardava. Vestia um conjunto elegante de alfaiataria em tons claros, os cabelos perfeitamente alinhados, mas a postura rígida entregava a mesma ansied
O sol mal havia começado a apontar no horizonte, tingindo o céu de um tom suave de dourado e rosa, quando o despertador do meu celular vibrou na cabeceira. Levantei-me sem pestanejar. Aquele não era um domingo comum, era o terceiro domingo do mês, o que significava apenas uma coisa naquela casa: o dia de visitar os pais da falecida Sra. Larissa. A atmosfera nesses dias costumava ser uma mistura peculiar de ansiedade e tristeza. A mãe dos gêmeos havia partido há alguns anos, e a conexão com aquele lado da família era mantida quase que exclusivamente por essas visitas mensais. Para as crianças, era um momento importante, mas que sempre desenterrava muitas emoções. Para Marcello, o pai deles, era visivelmente um dia estressante. Depois de um banho rápido para espantar o sono e de prender o cabelo em um rabo de cavalo prático, caminhei pelo corredor silencioso em direção ao quarto dos gêmeos. Segurei a maçaneta com cuidado e empurrei a porta devagar. O quarto ainda estav
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