A noite estava mais silenciosa que o normal. Nem os ventos ousavam uivar, e a lua, escondida atrás das nuvens, parecia observar tudo com desconfiança. Eu estava no quarto, ainda me recuperando das palavras cortantes e dos olhares de ódio que recebia de todos naquela casa. Meus pensamentos estavam confusos, divididos entre a raiva de estar presa e a estranha sensação de pertencimento que os gêmeos tentavam me impor.
Foi então que ouvi. Um som suave, como um lamento que atravessava as paredes. Não era humano, tampouco animal. Era algo entre os dois. Meu corpo se arrepiou inteiro, e eu me levantei da cama, instintivamente me aproximando da janela. O ar se tornou frio de repente, e um calafrio percorreu minha espinha.
Lá fora, no pátio, uma figura encapuzada caminhava lentamente. As tochas acesas vacilaram, como se quisessem se apagar diante de sua presença. Os lobos que estavam de guarda se afastaram, abaixando a cabeça em sinal de respeito — ou medo.
A porta do meu quarto se abriu