Ponto de Vista de Mara
Havia algo errado dentro de mim.
Não era dor física. Não era cansaço comum. Era um vazio frio, arrogante, que se espalhava pela minha mente como névoa espessa. Um sentimento que não combinava comigo. Não combinava com a garota que aprendeu a sobreviver sozinha, que chorou em silêncio, que amou com medo de perder. Aquilo… aquilo era Selene.
Minha outra eu.
Ela não gritava. Não ameaçava. Não precisava. Selene simplesmente existia dentro de mim, ocupando espaço, observando tudo como se o mundo fosse um tabuleiro antigo demais para merecer emoção. E isso me enojava.
Abri os olhos devagar, sentindo o peso daquele olhar invisível por trás do meu. Era como se eu não estivesse mais sozinha na minha própria cabeça. Como se cada pensamento meu fosse avaliado, julgado… tolerado.
— Eles existem para te adorar — a voz ecoou, suave e distante.
Fechei os olhos com força.
— Cala a boca — sussurrei.
Selene riu.
Uma risada baixa, elegante, carregada de desprezo disfarça