Ponto de Vista de Callum
A lua estava alta quando eu a chamei.
Não precisei elevar a voz, nem fazer rituais. Selene nunca precisou ser convocada de verdade. Bastava pensar nela com intensidade suficiente, deixar que a memória do que fomos abrisse espaço dentro de mim, e ela encontrava o caminho.
— Selene… — murmurei, encarando o céu prateado através da janela.
O ar mudou.
Sempre mudava quando ela se aproximava. Ficava mais denso, carregado de algo antigo, como se o mundo segurasse a respiração. Então ouvi a risada suave, quase infantil, que eu conhecia melhor do que qualquer outra coisa no universo.
— Meu querido Callum… sentiu saudade?
Meu corpo ficou tenso no mesmo instante.
Virei-me, preparado para enfrentá-la… e foi então que a vi.
Ela estava ali.
Não em sua forma verdadeira — aquela que fazia deuses se ajoelharem e monstros chorarem. Não. Selene estava no corpo da humana que dormia na minha cama. Ou melhor, que deveria estar dormindo.
Os olhos da mulher agora brilhavam