Ponto de Vista de Mara
Acordei antes que o sol ousasse tocar o horizonte.
O quarto estava mergulhado em uma penumbra azulada, um silêncio denso que parecia pulsar no mesmo ritmo dos corações ao meu redor. A respiração de Apolo e Arthur era um som telúrico, pesado, uma sinfonia de poder contido. Eu estava no centro deles — o ponto de equilíbrio entre dois predadores que, mesmo no sono, me guardavam como o tesouro mais precioso e perigoso de suas vidas.
Fiquei imóvel, mas minha mente era um campo de batalha.
Dentro de mim, Selene era um oceano de gelo e prata. Ela era vasta, eterna e assustadoramente indiferente aos desejos da carne. Eu sentia a presença dela como uma névoa que tentava dissipar a "Mara" que eu conhecia — a mulher que sentia dor, que sangrava, que amava com uma intensidade desesperada. O medo não era de morrer, mas de deixar de sentir. O medo de que a deusa consumisse a humana até que não restasse nada além de um ídolo de mármore.
Eu precisava de uma prova. Uma ânc