Ponto de Vista de Mara
Eu me sentia exposta.
Era essa a palavra que mais doía.
Exposta por dentro, como se alguém tivesse arrancado minhas camadas uma a uma e deixado tudo à mostra diante de pessoas que eu mais amava. Entrei no quarto quase sem sentir o chão sob meus pés, fechei a porta com cuidado, como se o mundo lá fora pudesse ouvir meus pensamentos.
Minhas mãos tremiam enquanto eu trocava o vestido.
Cada movimento parecia pesado demais. O tecido escorregando pela minha pele me lembrava do olhar de João, das palavras dele, do jeito como ele falou do passado como se ainda tivesse direito sobre ele. Meu rosto queimava de vergonha, não porque eu tivesse feito algo errado, mas porque algo que era só meu tinha sido jogado no meio da sala como uma arma.
Vesti uma roupa simples, clara, quase como uma tentativa infantil de me esconder de mim mesma.
Quando me sentei na cama, senti o colchão afundar dos dois lados.
Apolo e Arthur.
Eles vieram atrás de mim, como sempre vinham. Como