Ponto de Vista de Mara
A decisão já estava tomada dentro de mim antes mesmo de eu abrir a boca.
Era como se algo antigo — não a deusa, não a profecia, mas a mulher que eu sempre fui — tivesse despertado e se recusado a continuar calada. Meu peito doía, minha cabeça latejava, e aquele quarto parecia pequeno demais para tudo o que eu sentia.
— Eu preciso conversar com o João — eu disse, finalmente.
O efeito foi imediato.
O ar ficou pesado.
Arthur se levantou da cama como se tivesse levado um choque, e Apolo virou para mim com os olhos arregalados, o rosto já começando a se transformar pela raiva.
— De jeito nenhum — Apolo rosnou, a voz ecoando pelo quarto. — Você não vai falar com aquele desgraçado.
— Apolo… — comecei, tentando manter a calma.
— NÃO — ele gritou, perdendo totalmente o controle. — Você não vai se expor de novo. Não vai dar espaço pra ele te confundir.
Arthur se colocou ao lado do irmão, o maxilar travado.
— Isso não é uma boa ideia, Mara — ele disse, alto, fir