Ponto de Vista de Apolo
Eu pensei que já tinha sentido todo tipo de raiva possível.
A raiva da perda.
A raiva do medo.
A raiva da ameaça.
Mas nada se comparava ao que eu senti quando aquele lobo abriu a boca outra vez.
Mara ainda estava entre mim e Arthur, protegida pelos nossos corpos, o coração dela batendo tão forte que eu sentia pelo vínculo. Ela tremia — não de frio, mas de algo muito mais cruel: o passado voltando para exigir espaço.
E então João falou.
Falou como quem sabia exatamente onde ferir.
— Vocês são alfas — ele disse calmamente, cruzando os braços, finalmente nos encarando de frente. — Sabem muito bem o que isso significa.
Meu maxilar travou.
Arthur deu um passo à frente, os olhos brilhando em dourado.
— Cuidado com as próximas palavras — meu irmão rosnou.
João sorriu de lado.
Não um sorriso de desafio.
Um sorriso de quem achava que já tinha vencido.
— Eu fui o primeiro de Amara — ele disse.
O mundo parou.
Literalmente.
O som da casa desapareceu. O