Mundo ficciónIniciar sesiónNo fim, tudo se resolveu de uma forma quase milagrosa.
Um homem que eu nunca tinha visto na vida provavelmente apenas outro cliente ou, considerando o tipo de pessoas que frequentavam aquele lugar, algum figurão tentando passar despercebido se adiantou antes que o caos se instalasse de vez.
Com calma.
Com palavras cuidadosamente escolhidas.
E com uma tranquilidade que eu definitivamente não teria naquela situação.
Ele conseguiu convencer o político de que o quase-acidente não tinha passado de um incidente bobo.
Um tropeço.
Uma distração.
Talvez um tapete fora do lugar.
Nada grave.
Nada que justificasse transformar uma noite comum em um desastre.
E, por algum motivo que eu provavelmente nunca entenderia...
O homem acreditou.
A tensão começou a desaparecer lentamente.
Primeiro, os seguranças relaxaram.
Depois, algumas pessoas voltaram a conversar.
Os risos reapareceram.
A música voltou a ocupar o espaço que o silêncio havia tomado por alguns minutos.
E eu?
Eu fiz o que sabia fazer melhor.
Fingi que estava tudo bem.
Mesmo com meu coração ainda batendo como se estivesse tentando fugir do meu corpo.
Perfeito.
Primeiro dia de trabalho e quase presenciei um desastre político.
A noite continuou.
Por sorte, nenhum outro cliente importante decidiu tropeçar, cair ou transformar uma simples ida ao bar em uma crise nacional.
Quando meu turno finalmente terminou, não pensei duas vezes.
Guardei o avental.
Peguei minhas coisas.
E fui embora.
Permanecer naquele lugar por mais tempo não parecia uma boa ideia.
Não depois de ver, tão de perto, o poder que algumas pessoas carregavam.
E o medo que conseguiam provocar.
Tudo com uma palavra.
Um telefonema.
Uma ordem.
Quando finalmente voltei para casa, tudo o que queria era silêncio.
As últimas horas tinham sido preenchidas por música alta, clientes bêbados, sustos desnecessários e pensamentos que eu preferia esquecer.
Agora, eu só queria meu quarto.
Minha cama.
Meu espaço.
Tirei os sapatos logo na entrada e caminhei lentamente até o pequeno quarto alugado.
Não era grande.
Não era luxuoso.
Mas era meu abrigo.
Cada objeto ali tinha sido conquistado com muito mais esforço do que eu gostava de admitir.
Nada tinha chegado facilmente.
Talvez nunca chegasse.
Joguei-me sobre a cama e soltei um longo suspiro.
Estava cansada.
Fisicamente.
Mentalmente.
Emocionalmente.
Então meus pensamentos chegaram até o assunto que eu tentava evitar sempre que podia.
O bebê.
Minha mão repousou instintivamente sobre a barriga.
Ainda não era possível perceber muito.
Mas eu sabia.
Ele estava ali.
A realidade inteira estava ali.
Pesando sobre meus ombros.
Faltava pouco.
Menos de uma semana, segundo o último exame.
O tempo parecia passar rápido demais.
Às vezes, eu me perguntava como minha vida tinha chegado àquele ponto.
Sozinha.
Em outra cidade.
Sem apoio da família.
Sem o pai da criança.
Com medo do futuro.
E, mesmo assim...
Eu não conseguia desistir.
Poderia ter tomado outras decisões.
Poderia ter fugido daquela realidade.
Mas não consegui.
Não quis.
Para mim, aquela vida importava.
Mesmo que tudo ao meu redor estivesse desmoronando.
Mesmo que eu ainda estivesse tentando descobrir como seria capaz de dar conta de tudo.
— Vai ficar tudo bem... — murmurei.
Não sabia se estava falando com meu bebê.
Ou tentando convencer a mim mesma.
Talvez os dois.
Se seria fácil?
Nunca era.
Minha vida nunca tinha sido fácil.
Mas, se eu tinha conseguido chegar até ali...
Se tinha suportado tudo o que já havia acontecido...
Então encontraria uma maneira de continuar.
Por nós dois.
Nos próximos meses, tentaria comprar algumas coisas.
Nada exagerado.
Nada luxuoso.
Apenas o necessário.
Fraldas.
Roupinhas.
Alguns produtos básicos.
Talvez um berço de segunda mão.
Desde que estivesse em boas condições.
Seguro.
Confortável.
Se tudo desse certo.
Se eu conseguisse continuar trabalhando.
Se encontrasse estabilidade.
Se o mundo decidisse não me engolir antes.
A gravidez era um verdadeiro turbilhão.
Um período em que qualquer coisa podia acontecer.
Do maravilhoso ao completamente desastroso.
E eu tinha medo.
Claro que tinha.
Mas também queria tentar.
Queria continuar.
Erguer a cabeça.
Ser forte por alguém que ainda nem conhecia o mundo...
Mas que, de alguma forma, já tinha se tornado importante demais para mim.
Depois de alguns minutos perdida nos próprios pensamentos, levantei-me.
Tomei um banho rápido.
A água quente ajudou a aliviar parte da tensão acumulada no corpo.
Quando terminei, vesti uma camiseta larga e confortável.
Minha cama ainda não era perfeita.
O apartamento ainda não era exatamente o lar dos meus sonhos.
Mas aquele quarto era o lugar onde eu podia respirar.
Onde ninguém esperava nada de mim.
Onde eu podia simplesmente existir.
Deitei-me.
Fechei os olhos.
E fiz um único pedido ao universo.
Por favor.
Só uma noite tranquila.
Só hoje.
Eu não precisava de milagres.
Não precisava de dinheiro aparecendo magicamente na minha conta.
Nem de alguém resolvendo todos os meus problemas.
Queria apenas dormir.
Em paz.
Sem caos.
Sem sustos.
Sem políticos.
Sem bêbados.
Sem problemas.
Mal sabia eu que o universo provavelmente estava rindo naquele momento.
Porque, aparentemente...
Paz não fazia parte dos meus planos.
💅💅💅💅💅💅
O dia começou com algo raro.
Paz.
Acordei depois das dez da manhã.
Sem celular vibrando.
Sem mensagens urgentes.
Sem relatórios.
Sem homens desesperados ligando para dizer que alguma coisa tinha dado errado.
Nada.
Apenas silêncio.
Abri os olhos lentamente.
Zeus e Apolo estavam deitados aos pés da cama.
Os dois me observavam como soldados silenciosos.
Atentos.
Mas claramente satisfeitos por perceber que eu não pretendia levantar imediatamente.
Era raro.
Muito raro.
Acordar sem algum problema esperando por mim.
O quarto estava silencioso.
A cama confortável.
O teto decorado em mármore veneziano.
E o cheiro da madeira cara preenchia o ambiente.
Provavelmente obra da minha mãe.
Conhecendo Donatella, ela devia ter dado ordens extremamente claras.
"Deixem meu filho dormir."
E provavelmente acrescentado alguma ameaça elegante depois disso.
Minha mãe era assim.
Controladora.
Elegante.
E absolutamente eficiente quando queria alguma coisa.
O mundo, de alguma maneira, sempre acabava obedecendo.
Reconheci imediatamente aquela situação.
Era uma folga forçada.
E, por mais estranho que parecesse...
Eu não reclamaria.
Ainda.
Porque paz demais sempre me deixava desconfiado.
Na minha experiência, o silêncio absoluto raramente significava que tudo estava bem.
Normalmente significava que alguma coisa estava prestes a explodir.
E, considerando que tinham cancelado toda a minha agenda para que eu resolvesse pessoalmente uma dívida...
Bem.
Alguém estava em uma situação interessante.
Quem seria?
Um empresário falido?
Algum jogador compulsivo que tinha decidido apostar mais do que podia perder?
Um homem desesperado tentando manter uma vida luxuosa que já não conseguia sustentar?
Não fazia ideia.
Mas também não importava.
Uma dívida precisava ser resolvida.
De uma forma ou de outra.
Por enquanto, porém, decidi seguir minha rotina.
Banho quente.
Café preparado corretamente.
E alguns minutos de paz.
Ou quase isso.
Porque, como sempre, Miranda apareceu tentando recuperar Zeus e Apolo.
— Voltem aqui!
A voz dela ecoou pelo corredor.
Logo depois, ouvi passos rápidos.
Depois latidos.
E então mais gritos.
— Apolo!
— Zeus!
Um silêncio.
Então alguma coisa caiu.
Fechei os olhos.
Provavelmente nada importante.
Ou talvez fosse.
Eu descobriria depois.
Miranda praticamente corria pela mansão enquanto os dois cães fugiam dela como se aquilo fosse o maior entretenimento do mundo.
E, sinceramente?
Era.
Para eles.
E, secretamente...
Para mim também.
Mas jamais admitiria.
Um Diamond rindo daquela situação?
Nunca.
Eu apenas mantinha a expressão neutra.
Enquanto, internamente, achava tudo extremamente engraçado.
Depois de finalmente me vestir, caminhei até o enorme espelho do quarto.
Terno.
Cabelos arrumados.
Relógio.
Tudo no lugar.
Impecável.
Como sempre.
Desci as largas escadas da mansão.
Meus passos ecoaram pelos corredores decorados com tapeçarias antigas, molduras douradas e móveis que provavelmente custavam mais do que alguns apartamentos.
Quando cheguei à sala de refeições, o café da manhã já estava servido.
Perfeitamente organizado.
Funcionários alinhados.
Postura impecável.
Olhares discretos.
Nenhuma palavra desnecessária.
O único som vinha da porcelana.
Dos talheres.
Da colher tocando levemente a xícara.
E aquilo...
Era estranho.
Estranho demais.
A paz absoluta começou a me incomodar.
Olhei ao redor.
Todos pareciam esperar alguma coisa.
Uma ordem.
Um comentário.
Qualquer reação.
Por alguns segundos, pensei em quebrar o silêncio.
Perguntar alguma coisa.
Talvez reclamar da temperatura do café.
Só para ver alguém entrar em pânico.
Ou dar uma ordem completamente aleatória.
Talvez pedir que todos saíssem e entrassem novamente.
Apenas para assistir ao caos.
Quase sorri.
Quase.
Mas desisti.
Seria estranho demais.
Não combinava comigo.
Um Diamond não puxava assunto.
Um Diamond dava ordens.
E, naquela manhã...
Eu não tinha nenhuma.
Então apenas tomei meu café.
Comi lentamente o croissant amanteigado.
E tentei ignorar a única pergunta que continuava ocupando minha mente.
Quem diabos estava endividado até o pescoço com a Família Diamond?
E mais importante...
O que aquela pessoa tinha feito para minha mãe exigir que eu resolvesse aquilo pessoalmente?
A resposta viria em breve.
E, quando chegasse...
Eu descobriria que algumas dívidas não envolviam apenas dinheiro.
Algumas tinham nomes.
Histórias.
Segredos.
E consequências.
E, sem saber...
Eu estava prestes a bater à porta de uma delas.
A parte do capítulo do Leonardo e do capítulo 2. Posto uma parte por capitulo por dia, penso bastante em você e não quero que gastem bastante se não tiver no orçamento de vocês amo bastante fazer o melhor para vocês. Se lembre não faça PDF do meu livro por gentileza, já que eu estou escrevendo para vocês e pensando em vocês com muito carinho e amor. Desde já agradeço por continuar até aqui e até breve 💅❤️🙏.







