Capítulo 7

Leonardo Diamond

Leonardo não sabia exatamente o que pensar sobre aquela cobrança.

A situação era estranha demais para ser ignorada.

E, ao mesmo tempo, intrigante demais para ser tratada como apenas mais uma dívida.

Se sua mãe havia cancelado sua agenda, exigido sua presença pessoalmente e feito questão de impedir que seu pai resolvesse o problema da maneira habitual...

Então havia algo que ele ainda não tinha enxergado.

Por isso, decidiu investigar.

Mandou dois de seus homens mais confiáveis realizarem uma busca completa.

Perfil financeiro.

Histórico familiar.

Dívidas.

Negócios.

Possíveis crimes.

Relacionamentos.

Tudo.

Leonardo queria saber exatamente quem era a Família Ferraiz.

E, principalmente, como tinham conseguido chegar ao ponto de dever dinheiro à Família Diamond.

Horas depois, o relatório chegou.

Foi então que as peças começaram a se encaixar.

Leonardo estava sentado em seu escritório.

A cadeira de couro negro contrastava com os detalhes prateados espalhados pelo ambiente.

Sobre a mesa de madeira escura, documentos importantes permaneciam perfeitamente organizados.

Nada fora do lugar.

Nada por acaso.

Assim como ele.

Folheou as primeiras páginas lentamente.

Seu rosto permaneceu neutro.

Mas, internamente, sua atenção aumentava a cada nova informação.

A Família Ferraiz.

Uma família que já havia conhecido dias melhores.

Falência.

Dívidas acumuladas.

Problemas financeiros.

Apostas.

Fraudes.

Decisões ruins tomadas por adultos que haviam permitido que tudo desmoronasse ao redor deles.

Leonardo continuou lendo.

Então encontrou um nome.

Alícia Ferraiz.

A filha mais velha.

Seus olhos percorreram as informações.

E, logo abaixo...

Havia uma fotografia.

Leonardo ficou imóvel.

Por alguns segundos.

A mulher da Star Produções.

A jovem que havia esbarrado nele.

A mesma mulher que parecia nervosa.

Bonita.

E completamente deslocada naquele lugar.

Leonardo voltou a observar a fotografia.

Agora, aquela história tinha deixado de ser apenas um relatório.

O interesse havia se tornado pessoal.

— Então é você... — murmurou.

Como herdeiro direto do império Diamond, Leonardo havia aprendido uma coisa muito cedo:

Coincidências existiam.

Mas algumas eram boas demais para serem ignoradas.

Talvez fosse o destino.

Talvez fosse apenas o caos habitual que insistia em acompanhá-lo.

Ou talvez...

Sua mãe soubesse muito mais do que tinha contado.

Conhecendo Donatella, essa última possibilidade não podia ser descartada.

Mas uma coisa era certa.

Ele resolveria aquela situação.

E Alícia Ferraiz...

Teria que conversar com ele.

Mais cedo do que imaginava.

Ou, pelo menos...

Era isso que Leonardo pensava.

Porque, até aquele momento, ele ainda não sabia exatamente onde encontrá-la.

E muito menos imaginava que a vida da jovem estava prestes a cruzar novamente o caminho da Família Diamond.

Leonardo continuou analisando o relatório.

A situação parecia simples.

Uma dívida.

Uma cobrança.

Um acordo.

Ou consequências.

Mas havia algo que tornava tudo diferente.

Uma criança.

A irmã mais nova de Alícia.

Leonardo parou.

Seus olhos retornaram àquela informação.

E então compreendeu.

Era isso.

Era exatamente isso que sua mãe queria que ele entendesse.

Aquilo nunca tinha sido apenas sobre dinheiro.

Era sobre limites.

Donatella Diamond tinha uma linha muito clara quando se tratava de crianças.

Podia ser fria.

Calculista.

Implacável nos negócios.

Mas existiam coisas que ela jamais aceitava.

E crianças pagando pelos erros dos adultos era uma delas.

Na Família Diamond, havia princípios que ninguém ousava questionar.

Leonardo se lembrava perfeitamente de uma frase que sua mãe repetia desde que ele era mais novo:

— Os adultos respondem pelas próprias escolhas. Crianças não devem carregar as consequências delas.

Era simples.

Direto.

E definitivo.

Por isso, ela o havia escolhido.

Porque sabia que Leonardo encontraria outra solução.

Uma que não envolvesse transformar uma família inteira em exemplo.

Ele poderia mandar um aviso.

Estabelecer um prazo.

Forçar uma reunião.

Resolver tudo rapidamente.

Mas não queria.

Ainda não.

Leonardo preferia entender completamente o terreno antes de fazer qualquer movimento.

E tinha aprendido, ao longo dos anos, que pessoas desesperadas sempre acabavam revelando mais do que deveriam.

Às vezes, bastava observar.

Esperar.

Permitir que acreditassem ter algumas opções.

Era nesses momentos que os segredos apareciam.

Fechou o relatório.

Deixou-o sobre a mesa.

O símbolo da Família Diamond, entalhado na madeira, parecia observá-lo silenciosamente.

Um lembrete constante.

Poder.

Responsabilidade.

Legado.

Por enquanto, a Família Ferraiz continuaria respirando em paz.

Mas Leonardo agora sabia quem eles eram.

E conhecimento...

Sempre foi uma das armas mais poderosas que alguém poderia possuir.

A tarde seguiu com compromissos.

Uma transação financeira.

Duas reuniões.

Alguns acordos que exigiam sua presença.

Nada particularmente incomum.

Apenas negócios.

Homens influentes.

Empresários.

Políticos.

Pessoas que tinham aprendido a reconhecer o peso de um sobrenome.

Leonardo Diamond não precisava levantar a voz.

Nunca precisou.

Falava pouco.

Direto.

E o silêncio que vinha depois costumava ser suficiente.

Alguns homens tentavam manter a postura.

Outros demonstravam nervosismo.

Mas todos entendiam uma coisa:

A presença dele naquela sala significava que decisões importantes estavam sendo tomadas.

Ao final da última reunião, Leonardo assinou os documentos restantes.

Levantou-se.

Fez um simples aceno com a cabeça.

E aquilo bastou.

A reunião estava encerrada.

Seus seguranças imediatamente assumiram suas posições.

Leonardo atravessou o corredor.

Mais um dia.

Mais um conjunto de problemas resolvidos.

Mais um pedaço do império mantido sob controle.

Quando entrou na Ferrari preta, recostou-se no banco.

Soltou um suspiro baixo.

— Casa.

O motorista assentiu.

Nenhuma pergunta.

Nenhuma conversa.

Apenas o motor sendo ligado.

Enquanto a cidade ficava para trás, Leonardo voltou a pensar no relatório.

Alícia Ferraiz.

O nome permanecia em sua mente.

Ele não sabia quando faria seu próximo movimento.

Não tinha pressa.

O tabuleiro já estava montado.

E Leonardo sempre preferia observar antes de mover uma peça.

Quando finalmente chegou à mansão, mal teve tempo de tirar o paletó.

Seu celular vibrou.

Uma vez.

Duas.

Três.

Leonardo olhou para a tela.

Duas mensagens do pai.

Uma da avó.

Franziu a testa.

Já sabia o assunto antes mesmo de abrir.

Netos.

Sempre netos.

Abriu a primeira mensagem.

Filho, estou ficando velho. Traga logo um herdeiro para esta família antes que eu vire poeira.

Leonardo fechou os olhos.

Abriu a segunda.

Sua avó já fez tantos planos para o futuro desta família que está começando a ficar ofendida com a falta de crianças nesta casa.

A terceira mensagem foi da própria Giovanna.

Leonardo Diamond, você tem dinheiro, uma mansão, empresas e uma família inteira. O que exatamente está esperando para encontrar alguém e nos dar uma criança para mimar?

Uma risada curta escapou de seus lábios.

Era uma espécie muito particular de chantagem emocional.

À moda Diamond.

Seus pais tinham tudo.

Dinheiro.

Poder.

Influência.

Respeito.

Mas estavam entediados.

E queriam uma criança naquela família.

Um novo Diamond.

Alguém para proteger.

Mimar.

Ensinar.

E, acima de tudo, amar exageradamente.

Porque, por mais assustadora que a Família Diamond pudesse parecer para o resto do mundo...

Leonardo sabia exatamente como seriam com uma criança.

Completamente rendidos.

Sua avó sempre dizia:

— Uma criança precisa de coragem para enfrentar o mundo e de amor suficiente para saber que sempre terá para onde voltar.

Leonardo guardou o celular.

Um pequeno sorriso permaneceu em seu rosto.

Mal sabiam eles...

O destino já tinha colocado uma mulher bastante interessante em seu caminho.

Uma loira determinada.

Sozinha.

Carregando problemas que ainda nem imaginava dividir com alguém.

E completamente alheia ao fato de que o sobrenome Diamond começava, lentamente, a se aproximar de sua vida.

Leonardo não foi diretamente para o quarto.

Preferiu caminhar pela mansão.

O som dos próprios passos ecoava sobre o mármore frio.

Pensava.

Analisava.

Sua vida era funcional.

Poder.

Luxo.

Respeito.

Dinheiro.

Tudo estava exatamente onde deveria estar.

Mas...

Era solitária.

E ele sabia disso.

Aquela casa era enorme.

Grande demais para apenas uma pessoa.

Zeus e Apolo ocupavam parte do espaço.

Sua família aparecia constantemente.

Funcionários circulavam pela propriedade.

Mas, quando a noite chegava...

O silêncio voltava.

Desde o término do noivado, Leonardo não havia permitido que ninguém realmente se aproximasse.

Sua antiga noiva tinha sido apenas mais uma escolha conveniente.

Bonita.

Influente.

Adequada aos olhos da sociedade.

Mas nunca havia existido algo verdadeiro entre eles.

Ela gostava do sobrenome.

Do dinheiro.

Das festas.

Da imagem que podia construir ao lado dele.

Leonardo nunca tinha conseguido enxergar amor.

Apenas conveniência.

E, depois do fim...

Não procurou mais ninguém.

Talvez porque estivesse cansado.

Talvez porque não acreditasse que alguém

pudesse olhar para Leonardo...

E não para Diamond.

Parou diante de uma das enormes janelas da mansão.

Do lado de fora, a propriedade permanecia silenciosa.

Leonardo observou a escuridão por alguns segundos.

Então, sem perceber, pensou novamente no

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