Mundo ficciónIniciar sesiónBom, pessoal, eu costumo escrever capítulos entre 3 mil e 4 mil palavras. Então, caso vocês encontrem algum título ou uma divisão específica durante a leitura, saibam que tudo segue uma ordem dentro do desenvolvimento da história.
Por isso, atenção para não se perderem no caminho!
Assim que tudo estiver mais tranquilo, também postarei atualizações sobre a obra no meu I*******m:
@hadeverso_oficial
Acompanhem o andamento da história.
E, acima de tudo...
Boa leitura!
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Leonardo Diamond narrando
O escritório de Donatella Diamond ocupava um dos andares mais importantes da Star Produções.
E, assim como sua proprietária, não havia nada discreto naquele lugar.
Luxuoso sem ser exagerado.
Elegante sem precisar provar riqueza.
Cada detalhe parecia ter sido cuidadosamente escolhido para transmitir uma única mensagem:
quem comandava aquele lugar sabia exatamente o que estava fazendo.
Minha mãe caminhava de um lado para o outro com a elegância natural de alguém que jamais precisava se esforçar para chamar atenção.
Aos cinquenta e poucos anos, Donatella Diamond era o retrato vivo de poder e sofisticação.
Impecável.
Dos cabelos perfeitamente escovados até os saltos de grife que ecoavam suavemente pelo chão.
Ela cuidava da própria aparência com o mesmo zelo que dedicava aos negócios.
E talvez fosse exatamente por isso que tantas pessoas a admiravam.
Temiam.
Ou invejavam.
Minha mãe não tinha paciência para rodeios.
E eu sabia que ela aguardava apenas uma coisa.
Minha chegada.
Seu sexto sentido, infelizmente, nunca falhava.
— Pode entrar, meu filho — disse antes mesmo que eu pudesse anunciar minha presença.
Revirei os olhos internamente.
Claro.
Assim que atravessei a porta, ela abriu os braços.
— Meu bebê!
Minha mãe parecia genuinamente feliz em me ver.
Mas a expressão mudou quase imediatamente quando seus olhos percorreram meu rosto.
Ela percebeu o cansaço.
É claro que percebeu.
Donatella Diamond percebia coisas demais.
— Ah, meu querido... você está péssimo.
— Obrigado, mãe. Sempre bom começar o dia recebendo elogios.
Ela ignorou meu comentário.
— Perdoe esta mãe terrível por ter interrompido seu descanso.
Olhei para ela.
— A senhora não parece muito arrependida.
Um sorriso discreto surgiu em seus lábios.
— Porque não estou.
Era impossível discutir com aquela mulher.
Com um simples movimento dos olhos, ela indicou aos meus seguranças que saíssem do escritório.
Os homens obedeceram imediatamente.
A porta se fechou atrás deles.
Clique.
E, de repente, estávamos sozinhos.
Aquilo significava apenas uma coisa.
A conversa seria séria.
Soltei um suspiro e me sentei diante dela.
Mantinha todo o respeito que sempre tive por minha mãe.
Mas meu corpo inteiro implorava por uma cama.
— Mãe, a senhora sempre começa desse jeito e consegue me deixar preocupado.
Cruzei os braços.
— Eu estava dormindo, mas tudo bem. O que a senhora precisa de mim?
Donatella caminhou até sua poltrona e se sentou.
A mudança em sua postura foi imediata.
O carinho continuava ali.
Mas agora havia negócios envolvidos.
— Vou ser direta.
Claro que seria.
— Já liguei e cancelei toda a sua agenda de hoje.
Ergui uma sobrancelha.
— Que generosa.
— Você vai descansar depois.
Ela fez uma pequena pausa.
— Mas antes temos um assunto sério para resolver.
Meu interesse aumentou.
Minha mãe cruzou as pernas elegantemente.
— Uma família nos deve uma quantia considerável.
Minha expressão não mudou.
Dívidas eram comuns.
Pessoas desesperadas também.
— E você sabe muito bem como seu pai costuma lidar com situações assim.
Eu sabia.
Meu pai era objetivo.
Impaciente.
E, dependendo da situação, pouco disposto a oferecer segundas chances.
— Quero que você vá pessoalmente resolver essa cobrança.
Inclinei levemente a cabeça.
— Pessoalmente?
— Sim.
— Por quê?
Donatella respirou profundamente.
— Porque existem crianças envolvidas.
O silêncio tomou conta do escritório.
Minha mãe continuou.
— Você pode negociar. Fazer um acordo. Encontrar uma solução vantajosa para nós.
Seus olhos encontraram os meus.
— Mas eu não quero que uma família seja destruída por causa dos erros cometidos pelos adultos.
Havia algo diferente em sua voz.
Não era fraqueza.
Era convicção.
— Se fossem apenas adultos, talvez eu deixasse seu pai resolver tudo da maneira dele.
Ela balançou lentamente a cabeça.
— Mas existem crianças.
Os olhos dela ganharam um brilho determinado.
— E isso eu não tolero.
Por alguns segundos, permaneci em silêncio.
Pensando.
Crianças não tinham culpa das escolhas feitas pelos pais.
Era simples.
Talvez aquela fosse uma das poucas coisas sobre as quais eu jamais conseguiria discordar da minha mãe.
— Eu entendo.
Minha voz saiu mais baixa.
— E concordo.
Donatella me observava atentamente.
— Crianças não deveriam pagar pelos erros dos adultos.
Voltei meu olhar para ela.
— Considere resolvido, mãe.
Minha expressão permaneceu tranquila.
Mas minha mente já começava a trabalhar.
Possibilidades.
Acordos.
Alternativas.
— Vou resolver essa situação.
Fiz uma breve pausa.
E algo começou a se formar dentro da minha cabeça.
Uma possibilidade.
Talvez aquela dívida pudesse ser útil.
Não apenas para resolver um problema.
Mas para resolver outros.
— Talvez isso acabe nos ajudando com alguns dos nossos próprios problemas.
Minha mãe sorriu.
Não perguntou o que eu queria dizer.
Não precisava.
Ela era uma Diamond.
E, entre nós, muitas vezes meia frase era suficiente.
Depois da conversa, deixei a Star Produções.
Meu único plano era voltar para casa.
Dormir.
Descansar.
E recuperar a paciência que havia perdido em algum momento da madrugada.
Quando acordasse, lidaria com aquela família.
Do meu jeito.
Porque muita coisa estava prestes a mudar.
A questão era:
eu realmente estava preparado para aquilo?
Provavelmente não.
Mas, sinceramente?
Quando alguém da Família Diamond estava realmente preparado para o caos?
Descobriremos em breve.
Porque, no próximo capítulo...
o caos atende pelo nome de Alícia Ferraiz.
Um brinde ao drama, ao caos e aos nossos surtos coletivos.
Depois do esbarrão com aquele homem mais cedo...
O próprio colírio de terno...
Eu tentei seguir minha vida.
E, quando digo seguir minha vida, entenda:
rodei a cidade inteira procurando emprego.
Literalmente.
Passei por tudo quanto era lugar.
Loja.
Cafeteria.
Restaurante.
Pequenos comércios.
Resultado?
Alguns nãos foram diretos.
Secos.
Sem emoção.
Outros tentaram ser educados.
— Meu bem, infelizmente tivemos que contratar outra pessoa.
Tradução?
Não era você, querida. Segue o baile.
Nada.
Zero.
Nenhuma vaga.
Eu já estava começando a considerar seriamente a possibilidade de vender brigadeiro na calçada.
E olha...
Não era uma ideia tão ruim.
Quando, completamente do nada, apareceu um sim.
Pisquei algumas vezes.
— Espera. É sério?
Era sério.
Não era glamouroso.
Nem de longe era o emprego dos meus sonhos.
Mas quem tinha tempo para sonhar quando existia aluguel para pagar?
Exatamente.
Ninguém.
Era uma boate.
Pequena.
Discreta.
E o cargo?
Atendente de bar.
Eu ficaria atrás do balcão.
Serviria bebidas.
Sorriria educadamente.
Tentaria sobreviver até o fim do turno.
E receberia meu pagamento.
Perfeito.
Mais importante ainda:
nada de circular entre mesas.
Nada de precisar carregar bandejas no meio de clientes bêbados.
E, com sorte...
Nada de assédio.
Nada de mãos inconvenientes.
Nada de gente tentando ultrapassar limites.
Somente paz.
Ou, pelo menos, era isso que eu esperava.
A vida nunca tinha sido fácil.
E eu sabia disso melhor do que muita gente.
Mas, se tinha aprendido alguma coisa ao longo dos anos, era que oportunidades não apareciam todos os dias.
Mesmo as pequenas.
E quando apareciam...
Você agarrava.
Porque eu já estava cansada de ouvir não.
Muito cansada.
Anotei todas as informações do novo emprego.
Endereço.
Horário.
Nome do responsável.
E decidi que não perderia mais tempo tentando descobrir se aquilo era sorte ou destino.
Pegaria a oportunidade.
E seguiria em frente.
Era o que eu sempre fazia.
Quando a noite chegou, eu estava pronta.
Vestida com simplicidade, mas com cuidado suficiente para parecer profissional e, principalmente, me sentir confortável, deixei meu pequeno apartamento.
O destino?
Meu novo emprego.
Uma boate.
Definitivamente não era o lugar onde eu imaginava estar trabalhando quando pensei em recomeçar minha vida.
Mas era o que a realidade oferecia naquele momento.
E eu tinha aprendido a aceitar o que vinha.
Desde que não custasse minha paz.
Pelo menos...
Era o que eu esperava.
O táxi parou diante do estabelecimento com um ronco abafado do motor.
Desci.
Ajeitei a alça da bolsa sobre o ombro.
Respirei fundo.
E entrei.
O lugar estava começando a ganhar vida.
As luzes.
A música.
As pessoas.
Fui rapidamente guiada até o balcão onde passaria boa parte da noite.
E, sinceramente?
Agradeci mentalmente a qualquer entidade bondosa que estivesse ouvindo minhas preces.
Eu não precisaria circular entre as mesas.
Glória.
Olhei discretamente para o restante do ambiente.
Alguns garçons pareciam travar verdadeiras batalhas contra clientes bêbados.
Um tentava impedir um homem de cair.
Outro negociava com alguém que aparentemente acreditava que cinco copos eram propriedade pessoal dele.
Havia uma terceira pessoa tentando convencer um cliente completamente alterado a não subir em uma cadeira.
Observei tudo em silêncio.
Franzi o nariz.
— Eca.
A palavra escapou antes que pudesse impedir.
— Tocar em gente bêbada é o meu limite. Credo.
Definitivamente não.
Respirei profundamente.
Então assumi meu lugar atrás do balcão.
Ajeitei minha postura.
Preparei meu melhor sorriso profissional.
E tentei ignorar o leve enjoo que aquela quantidade absurda de álcool e perfume forte provocava.
Eu precisava daquele emprego.
Precisava do dinheiro.
Precisava de estabilidade.
Mas, acima de tudo...
Eu queria paz.
Paz.
Era só isso que eu queria.
E talvez aquele fosse exatamente o meu primeiro erro.
Porque a vida tinha um senso de humor terrível.
E, aparentemente, o destino também.
Eu ainda não sabia.
Mas minha primeira noite naquele emprego estava prestes a provar uma coisa:
paz e Alícia Ferraiz simplesmente não combinavam.
E, quando o caos finalmente decidisse aparecer...
Ele provavelmente viria usando um terno caro.
Com olhos impossíveis de ignorar.
E o sobrenome Diamond.
Leonardo Diamond.







