Ponto de vista do narrador
Carlos Alberto a esperava sentado, perna cruzada, o whisky intacto na mesa baixa, as mãos entrelaçadas como se estivesse analisando uma peça defeituosa em seu tabuleiro.
— Sente-se. — Ele indicou a poltrona em frente.
Beatriz obedeceu imediatamente.
Ele a observou por longos segundos — longos o suficiente para fazê-la desviar o olhar, inquieta, desconfortável, como uma criança pega em flagrante.
— Sabe por que eu a chamei aqui? — perguntou ele, a voz baixa, polida, perigosa.
— N-não, senhor. — Ela engoliu em seco. — Se for sobre o plano, eu… eu só queria ajudar. Ainda mais agora que ele passou por tanta coisa, e…
— Estou ciente. — Ele a cortou sem elevar o tom da voz, mas que a silenciou na hora.
Beatriz encolheu os ombros, quase se retraindo na cadeira.
Carlos Alberto inclinou-se para frente.
— Me diga, Beatriz… — O olhar dele tinha o peso de uma lâmina prestes a tocar a pele. — Por que esteve conversando com um homem chamado Daniel Raven?
A cor sumiu do ro