Ponto de vista do narrador
A noite já havia caído quando Carlos Eduardo encontrou o pai no escritório da mansão.
As paredes de vidro inteligente estavam opacas, isolando o ambiente do restante da casa. Dados silenciosos corriam em hologramas suspensos, mas nenhum deles realmente importava. Carlos Alberto estava de pé, olhando para a cidade parecia imerso em pensamentos.
Carlos Eduardo fechou a porta atrás de si.
— Pai — a voz saiu controlada demais. — Eu preciso te perguntar uma coisa. E preciso que você me responda sem rodeios.
Carlos Alberto não se virou de imediato.
— Quando você começa assim, geralmente já sabe a resposta — disse, com calma calculada.
— Talvez. Mas eu quero ouvir de você.
O silêncio se estendeu por alguns segundos. Longos. Pesados.
— Beatriz Alcântara — Carlos Eduardo continuou. — O suicídio dela. Você teve alguma coisa a ver com isso?
Carlos Alberto finalmente se virou.
O rosto não demonstrava surpresa. Apenas cansaço.
— Não — respondeu de imediato.