Ponto de vista do narrador
O amanhecer encontrou Carlos Eduardo já desperto.
Não havia marcas visíveis do pesadelo da noite anterior — o banho frio, o terno perfeitamente alinhado, o rosto sereno. Mas por dentro, algo havia se reorganizado. O medo não desaparecera. Fora destilado. Refinado. Transformado em decisão.
Cadu observava a cidade do alto do prédio da empresa, as mãos apoiadas no vidro, enquanto o trânsito lá embaixo parecia um organismo previsível demais. Pessoas indo e vindo. Rotas. Padrões. Fragilidades.
Pedro Alcântara não era apenas um jogador que blefava e não tinha nada em mãos, ele tinha algo, e era certo que uma pequena fagulha no campo certo pode levar à um grande incêndio, e por isso precisava ser apagado.
Ele não contou nada ao pai. Não pediu permissão. Não buscou conselhos. Pela primeira vez, não quis dividir o peso. Queria estar no controle e ter controle de toda a situação, ser suficiente para resolver uma situação delicada — ou talvez provar para si mesmo que