Ponto de vista do narrador
Pedro Alcântara Magalhães encontrou o envelope meses depois da tragédia, escondido no fundo de uma caixa de joias que Beatriz guardava no quarto da casa de Petrópolis. Ele estava lá sozinho, ajudando os pais a organizar os pertences da irmã — tarefa que ninguém queria fazer, mas que ele se impôs para proteger a mãe do sofrimento.
O envelope era discreto, papel creme, selado com cera vermelha. No verso, a caligrafia delicada de Beatriz:
“Para Pedro. Só abra se algo acontecer comigo. Nunca mostre aos nossos pais. Te amo.”
Pedro sentou-se na beira da cama dela, respirou fundo e abriu com cuidado.
"Meu querido Pedro,
Se você está lendo isso, é porque algo deu terrivelmente errado. Eu não queria envolver mamãe e papai — eles já sofreram demais com tudo o que aconteceu. Você é o único em quem confio de verdade. O único que sempre me viu como pessoa, não como a “filha perfeita” que todos esperavam.
Preciso que você saiba a verdade, caso eu não possa mais contá-la.