Ponto de vista do narrador
A mansão dos Nóbrega estava mergulhada em uma quietude opressiva naquela noite. O verão trazia um ar úmido que se infiltrava pelas janelas entreabertas, mas dentro da biblioteca, o ar-condicionado mantinha tudo fresco e controlado — assim como Carlos Alberto gostava.
Ele estava sentado em sua poltrona de couro, um copo de bourbon na mão, o gelo derretendo lentamente. Carlos Eduardo, ou Cadu, como o pai ainda o chamava em momentos íntimos, ocupava o sofá oposto, folheando um relatório da empresa familiar sem realmente ler.
Natália já havia se recolhido cedo, alegando uma enxaqueca após um dia exaustivo de estudos, afinal Natália quer começar a pós graduação na área escolhida por ela. Ela quer trabalhar com crianças com necessidades especiais. Rebeca também já dormia tranquilamente.
Carlos Alberto quebrou o silêncio primeiro, a voz baixa e medida, como sempre.
— Hoje recebi uma visita inesperada no escritório. Pedro Alcântara. O irmão de Beatriz.
Cadu er