Ponto de vista do narrador
A notícia da morte de Gustavo Nóbrega Linhares — o patriarca, avô de Carlos Eduardo e Rebeca — chegara meses antes da colação de grau, como um sussurro frio que abalara a família. Ataque cardíaco na prisão, declararam os médicos. Natural, inevitável. Mas Carlos Eduardo não acreditara.
Na noite em que soubera, confrontara o pai no escritório, o ar pesado de acusação.
— Foi você!! — dissera Cadu, a voz baixa, os olhos vermelhos. — Ele estava quase conseguindo redução de pena. Advogados bons, apelações. De repente, morre do coração? Pai… me diz a verdade.
Carlos Alberto não negara. Apenas sustentara o olhar, a expressão impassível.
— Ele era uma ameaça — respondera, por fim. — Mesmo preso, mexia cordas. Podia virar tudo contra nós. Contra você. Contra Natália. Contra os meninos. Podia usa-los para nos chantagear ou apenas para se vingar. Eu... não permitiria.
Carlos Eduardo sentira o peito doer.
— Você… matou o próprio pai?
— Protegi minha família — corrigira