Ponto de vista do narrador
Ela se aninhou entre os dois com certa hesitação, a cabeça apoiada timidamente no ombro de Carlos Alberto, as pernas dobradas sobre o colo de Cadu como se ainda não soubesse se tinha direito de estar ali daquele jeito. O coração dela batia acelerado, não só pelo resquício do desejo, mas por uma onda de vergonha que começava a subir pelo peito.
As mãos deles acariciavam seus cabelos e suas coxas com a mesma calma de antes, sem pressa, mas agora cada toque parecia fazer Natália se encolher um pouco mais por dentro. Ela sentia o calor dos corpos dos dois ao seu redor, o cheiro familiar de Carlos Alberto misturado ao de Cadu, e isso a deixava dividida entre um desejo intenso e uma culpa que apertava a garganta.
Olhares se cruzavam acima dela, cúmplices e satisfeitos, mas Natália mantinha os olhos baixos, fixos nas próprias mãos que repousavam inquietas no colo.
“Isso não é normal”, pensava ela, o rosto esquentando. “Duas pessoas que eu amo ao mesmo tempo. Da