— Presentes
Ponto de vista do narrador

O relógio marcava exatamente 5h58 quando o portão eletrônico da mansão se abriu com um zumbido baixo. Letícia estacionou o carro discreto na entrada lateral, como sempre fazia quando as visitas eram particulares. O céu ainda estava escuro, o ar frio da madrugada carregando o cheiro de orvalho e jardim molhado. Ela saiu do veículo com uma mala pequena de couro preto na mão — o kit completo que ele sempre pedia.

Mas dessa vez havia algo mais.

Algo que a deixara acordada a noite inteira.

Dentro da mala, embrulhada em veludo preto, a coleira: couro macio, preto como a noite, cravejada em diamantes e com o nome "Natália" gravado em letras prateadas delicadas na placa central. A corrente longa, fina, mas resistente, enrolada ao lado.

Letícia respirou fundo, o coração apertado.

Há um ano ela era o objeto de desejo dele — a submissa perfeita, a que aceitava tudo: dor, prazer, humilhação.

Agora era apenas a mensageira.

E isso doía mais do que qualquer
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