Mundo ficciónIniciar sesiónFernanda Vasques é linda, sagaz, um furacão de ironia e desastres amorosos. Com um histórico digno de documentário do Discovery Channel, ela já foi traída por namorado, ficante, entregador e até... pela própria prima. No mesmo dia em que flagra o namorado na cama com a traidora de sangue, ela ainda perde o emprego e é quase atropelada por um homem lindo, forte, sarcástico - e completamente irritante. Uma obra-prima da genética com cara de encrenca. Pietro Cavallini nunca acreditou no amor. Mulheres? Ele coleciona. Compromisso? Só se for com a academia. Mas quando se muda para uma casa nova e descobre que sua vizinha é a maluca que ele atropelou - e que o odeia com todas as forças -, Pietro percebe que talvez essa seja sua diversão mais interessante até hoje. Eles brigam. Eles se alfinetam. E em um pacto insano, Pietro decide ajudar Fernanda a encontrar o "homem certo", criando com ela um manual de regras para conquistar o amor verdadeiro. Mas tem uma coisa que eles não previram: no fim das contas, o amor certo... pode ser o errado mais gostoso que já apareceu na porta da sua casa.
Leer másFernanda Vasques
Tudo começou com um gemido.
E não era meu.Estava voltando do almoço mais ou menos feliz — porque pizza de quatro queijos é minha religião — quando resolvi passar em casa pra pegar minha sombrinha. Nuvens ameaçadoras pairavam no céu e, como boa azarada de nascença, se eu não me precavesse, ia tomar um banho de chuva com trovão incluso.
O problema?
O problema estava na minha cama. Ou melhor, no meu namorado — pelado — transando com a minha prima.Isso mesmo. PRIMA. De sangue. Daquelas que sentam do seu lado nas festas de família, dizem que te amam e ainda pedem a receita da sua lasanha.
— Fernanda! — gritou o canalha, tentando cobrir o que eu já conhecia de olhos fechados (infelizmente).
— Ai, prima... desculpa! — ela disse, com a cara mais lavada do planeta Terra.— Desculpa? Desculpa?! — arregalei os olhos, soltando uma risada que mais parecia um surto. — Você tá dando pro meu namorado e acha que um "desculpa" resolve? Quer que eu te traga uma água com gás e um muffin também, Jéssica?
Saí antes que fosse presa por homicídio.
Mas o universo não tinha terminado comigo ainda.Cheguei no trabalho com cara de quem tinha visto o capeta — e visto mesmo — e minha chefe me chama na sala. Resultado? DEMITIDA. Segundo ela, estavam "fazendo cortes". Mas bem na semana em que eu pedi aumento? Coincidência, meu rabo.
Duas horas depois, eu era uma mulher solteira, desempregada e traída duplamente. E como cereja do bolo da tragédia: ainda caiu um toró na minha cabeça. Sem sombrinha. Porque a vida é uma stand-up trágica.
— Relaxa, amiga, é só uma fase — disse a Clara, minha melhor amiga, enquanto me servia um copo de vinho que eu não tinha dinheiro pra pagar.
— Fase? Clara, isso aqui não é fase. É reencarnação mal feita. Eu devo ter sido traficante de alma na outra vida.Depois de beber o vinho como quem bebe gasolina, fui andando pra casa com a mesma dignidade de um pinguim manco. E foi aí que aconteceu.
BUM!
Um carro freou do nada e eu fui parar em cima do capô como se estivesse gravando uma cena de novela mexicana. Só que a trilha sonora era o meu grito.
— MEU DEUS! VOCÊ TÁ BEM?! — perguntou o motorista, abrindo a porta com uma expressão de pânico.
Quando eu levantei, o que vi me fez perder o ar — e não pela batida.
O homem era lindo. LINDO. Daqueles que você tem certeza que o universo só criou pra causar distúrbios hormonais nas mulheres honestas.Moreno, alto, braços fortes, maxilar afiado e um sorriso que, se existisse na Idade Média, teria sido declarado feitiçaria.
— Tô ótima. Só queria morrer com mais glamour — murmurei, ajeitando minha blusa molhada de chuva.
— Foi sem querer. Eu me distraí com a chuva. Quer que eu te leve pra um hospital?
— Hospital? Eu já tô morta por dentro, querido. Só preciso de uma pizza e de um tapa na cara do destino.Ele riu.
— Você é meio maluca?— E você é cego? Olha o tamanho da minha bunda e me diz como não viu ela no meio da rua!
— Achei que era miragem.
Filho da...
Sem dar mais uma palavra, dei meia-volta e fui embora molhada, irritada e estranhamente quente por dentro.Eu achava que nunca mais ia ver aquele homem.
Mas o universo adora me colocar no cu— com glitter.
Porque três dias depois, a casa luxuosa do lado da minha foi vendida. E adivinha quem era o novo vizinho?Pietro Cavallini.
O homem do carro. O pecado em forma de vizinho. O galinha confesso.E minha paciência? Já entrou com pedido de demissão.
Pietro CavalliniUma semana. Sete dias que, no fuso horário insano de Dubai, pareceram durar um ano inteiro. Minha rotina havia se transformado em um looping exaustivo de plantas de engenharia estendidas sobre mesas de reunião, relatórios metalúrgicos e discussões ásperas com o consórcio de seguros. Eu e o Lucas praticamente não dormíamos. Passávamos as madrugadas revisando cada linha de código dos sistemas de automação predial da Torre Leste, alterando as especificações de segurança conforme as exigências — muitas vezes absurdas e puramente políticas — do Príncipe Al-Asmakh.Mudar o que um membro da família real manda em Dubai não é uma questão de sugestão técnica; é uma ordem de Estado. Se ele queria uma redundância tripla nos sprinklers e o isolamento térmico importado da Alemanha em tempo recorde, nós tínhamos que redesenhar o cronograma inteiro e fazer acontecer, custasse o que custasse.No meio desse turbilhão de cálculos, prazos sufocantes e a pressão esmagadora de segurar as a
Fernanda VasquesA luz do deserto não pede licença; ela inunda o espaço com uma claridade dourada, quase mística, que atravessa os imensos panos de vidro da Sky Pool Villa. Quando meus olhos se abriram, vagarosos, a primeira coisa que registrei foi o silêncio absoluto daquele palácio suspenso, quebrado apenas pelo rumorejar distante e quase imperceptível do sistema de climatização do hotel. A segunda coisa — e infinitamente mais interessante — foi o peso reconfortante do braço de Pietro cruzado sobre a minha cintura.Virei-me de lado com extrema cautela, apoiando o peso do meu corpo sobre o cotovelo, cuidando para não fazer o colchão absurdamente macio se mover. Fiquei ali, flutuando numa preguiça deliciosa, apenas admirando o homem adormecido ao meu lado.Sem a armadura impecável dos ternos de alta costura, sem o olhar afiado de engenheiro e a postura de comando que costumava intimidar até os bilionários árabes, Pietro parecia quase vulnerável. Quase. Suas feições fortes e a mandíbul
Pietro Cavallini Quando entrei na suíte do Atlantis The Royal, a tensão acumulada nos meus ombros pesava toneladas. A fúria racional que usei para desmontar os argumentos de Youssef começava a dar lugar a uma necessidade brutal de descompressão. Joguei a pasta de couro e o celular na mesa de entrada. O silêncio do quarto era quebrado apenas pelo som abafado da água caindo no banheiro principal.Caminhei até lá, despindo-me pelo caminho. A camisa social azul-escura, impregnada com o cheiro sutil de fumaça e fuligem da obra, foi jogada no chão, seguida pelos sapatos, pela calça de alfaiataria e pelas meias. Eu precisava me limpar daquela sujeira, daquela conspiração que tentava me cercar.Abri a porta de vidro fumê do imenso banheiro de mármore Carrara. O ambiente estava imerso em uma névoa densa e aquecida, perfumada com o aroma do sabonete de verbena que a Fernanda usava. Através do vidro jateado do box monumental, vi a silhueta dela. As curvas do seu corpo desenhadas de forma suave
Pietro CavalliniO canteiro de obras da Torre Leste exalava o cheiro acre de concreto queimado, fiação derretida e plástico carbonizado. A opulência de Dubai, que brilhava a poucos quilômetros dali, parecia pertencer a outro mundo sob a luz dura dos refletores temporários que iluminavam o vigésimo quarto andar.Eu usava capacete de segurança, botas reforçadas e uma expressão que fazia até os engenheiros mais experientes evitarem contato visual. Cada passo ecoava sobre os destroços, enquanto eu analisava os danos causados pelo incêndio.Logo atrás de mim, Lucas me acompanhava com o tablet corporativo nas mãos, registrando imagens, relatórios e cada detalhe da destruição estrutural. O silêncio entre nós dizia tudo.Aquilo não era apenas um acidente.Era um prejuízo milionário.E eu pretendia descobrir exatamente quem iria pagar por ele.No centro da área isolada pelas fitas amarelas da perícia, o encarregado-geral da obra aguardava minha chegada. Youssef, um engenheiro libanês respeitad





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