Ponto de vista do narrador
A mansão estava silenciosa naquela noite, o tipo de silêncio que só os ricos podiam comprar — isolada do mundo, protegida por muros altos e sistemas de segurança que Carlos Alberto mesmo projetara. Ele estava no escritório particular, o copo de uísque na mão, olhando a tela do computador onde relatórios financeiros piscavam em verde. Tudo corria bem nos negócios. Tudo sempre corria bem — porque ele fazia correr.
A linha segura, vibrou uma única vez.
Carlos Alberto atendeu no segundo toque.
— Fale.
Do outro lado, a voz do informante veio baixa e direta:
— Senhor, ela se encontrou com ele. Hoje à tarde, no café perto do campus. Daniel Raven.
Carlos Alberto tomou um gole de uísque, os olhos estreitando-se ligeiramente, mas a expressão permanecendo impassível.
— E?
— Ele mostrou o laudo de DNA. Sobre a paternidade da Rebeca. Ela ficou chocada, mas contou tudo o que sabe. Sobre o acidente, a sabotagem. Confirmou as provas no cofre. Tudo conforme o planejado Senh