Ponto de vista do narrador
O prédio era um dos mais caros da cidade.
Vidro, aço, linhas limpas e uma vista que fazia parecer que o mundo inteiro cabia sob os pés. O terraço no último andar costumava receber eventos privados da alta sociedade — coquetéis discretos, reuniões que não constavam em agendas oficiais.
Naquela noite, estava vazio.
Beatriz saiu do elevador com passos lentos.
O convite havia sido direto, quase respeitoso:
“Precisamos conversar. Com calma. Onde ninguém pode nos ver.”
Ela conhecia bem aquele tipo de lugar. Crescera em ambientes assim. Beatriz Alcântara Magalhães não era qualquer garota — vinha de uma família tradicional, sobrenome presente em conselhos administrativos, jantares de gala e listas de doadores. Universitária, amiga próxima de Carlos Eduardo, presença constante nos círculos certos.
Justamente por isso, aquela sensação no peito não fazia sentido.
O vento frio varria o terraço, levantando o cabelo dela, usava uma calça de sarja na cor vinho, camiseta em