Ponto de vista do narrador
Daniel demorou três dias até decidir procurá-la.
Não por falta de urgência — ela existia, pulsava como uma veia exposta —, mas porque Beatriz era o tipo de pessoa que só ajudava quando estava emocionalmente abalada.
Daniel precisava chegar no momento exato em que ela se sentisse carente o suficiente para querer vingança, ou vazia o suficiente para precisar preencher o vazio com justiça. E assim o fez.
Aparentemente, o último mês fora árduo para Beatriz: ela acompanhara de longe a rotina de Carlos Eduardo e Carlos Alberto, até mesmo descobrira sobre o “trisal” que se formara entre pai, filho e Natália — uma dinâmica que a deixara com um gosto amargo de exclusão e raiva.
Encontrou-a onde dava para marcar sem receios: um café discreto perto do campus, longe do condomínio onde morava, longe dos olhos de Carlos Alberto.
Beatriz estava sentada ao fundo, costas para a parede, como alguém que aprendera a se proteger sem perceber. Vestia-se bem, como sempre — saia