David entrou no escritório da cobertura, o espaço amplo e moderno que servia como extensão do seu mundo corporativo. As paredes de vidro do chão ao teto davam uma vista panorâmica de São Paulo, a cidade já fervendo sob o sol da manhã, carros minúsculos serpenteando pelas avenidas, prédios refletindo o céu azul claro. A mesa de mogno polido estava coberta de pilhas organizadas de documentos, contratos, relatórios financeiros e projetos arquitetônicos — o novo prédio em Milão, a expansão da filial brasileira, o orçamento trimestral que precisava de assinatura. O ar-condicionado soprava frio, mas David sentia o corpo quente, irritado, como se o sangue estivesse fervendo sob a pele.
Ele jogou o paletó na poltrona de couro, afrouxou a gravata com um puxão impaciente e sentou na cadeira executiva, o couro rangendo sob o peso. O relógio na parede marcava 9:15. Ele tinha saído da mesa do café da manhã há menos de uma hora, mas já sentia o peso da ligação do tio-avô Alberto como uma âncora no