David chegou na mansão em Milão com o corpo cansado, mas a mente alerta. O jatinho aterrissara no aeroporto privado de Linate por volta das 20h, horário local, e o carro o levara direto pra Brera. O ar fresco da noite italiana o envolveu ao descer — cheiro de terra úmida após uma chuva leve, pinheiros distantes, o toque sutil de fumaça de lenha de alguma chaminé próxima. Fazia anos que não voltava à Itália, e a sensação de retorno era um misto de nostalgia amarga e irritação latente. A cidade se estendia ao fundo, um mar de luzes piscando como estrelas caídas, os prédios altos do centro financeiro cortando o céu escuro, as ruas iluminadas por postes antigos.
Ele largou a mala no hall de entrada, o piso de mármore polido refletindo as luzes suaves das arandelas. A mansão era um monumento vivo — paredes de pedra clara cobertas de hera, tetos altos com afrescos desbotados, corredores largos com quadros antigos de família, o cheiro de madeira polida e flores frescas. Era luxo puro, histór