O jatinho particular da família Martel cortava o céu noturno da Europa, o ronco constante dos motores um fundo sonoro que Arianna já começava a aceitar como parte da realidade. A viagem durara pouco mais de 11 horas — decolaram de São Paulo às 8h da manhã, horário local, e, graças ao fuso horário (São Paulo 4 horas atrás de Milão), chegariam por volta das 20h na Itália. O tempo voara em um borrão de nuvens brancas, turbulência leve que fazia o estômago dela revirar, filmes na tela grande que ela mal prestava atenção, Ava dormindo no colo, Giulia contando histórias da infância na Itália, Dona Isabella lendo uma revista. Arianna sentia tudo: o ronco vibrando no corpo, o ar pressurizado seco na garganta, o cheiro de comida servida pela aeromoça — sanduíches gourmet, frutas frescas, vinho italiano que ela recusou por medo de enjoar.
Quando o avião começou a descer, o coração dela acelerou de novo. As luzes da Itália aparecendo lá embaixo — Milão à noite, um mar de luzes piscando, prédios