Arianna terminava de limpar a boca de Ava quando Dona Isabella entrou na cozinha, o robe de seda floral amassado nos ombros, o cabelo grisalho preso num coque perfeito, os olhos verdes fixos nela com uma intensidade que fez o estômago de Arianna dar um nó.
— Arianna, querida — disse a mãe de David, a voz suave, mas firme. — Pode vir comigo um momento? Preciso falar com você.
Arianna sentiu o coração acelerar. Limpou as mãos no pano de prato, pegou Ava no colo e seguiu Dona Isabella para a varanda coberta. O lugar era um oásis particular: piso de madeira clara polida, plantas altas em vasos de cerâmica italiana, a jacuzzi embutida borbulhando baixo com água quente, LEDs azuis iluminando o fundo. A vista era de tirar o fôlego — boa parte de São Paulo se estendendo lá embaixo, a Paulista fervendo com carros e pedestres, o sol da manhã pintando tudo de ouro e laranja. O ar fresco da altitude batia no rosto delas, carregado do cheiro de terra úmida das plantas e cloro da jacuzzi.
Arianna a