David estava no meio de uma videoconferência com investidores japoneses quando o celular particular vibrou sobre a mesa, e o número da mãe brilhou na tela. Um frio percorreu o corpo dele e no mesmo instante travou.
Ele pediu licença, saiu da sala de reuniões e atendeu no corredor.
— Filho! — a voz de Dona Isabella Martel soou animada, com aquele sotaque italiano que ganhou dos anos morando fora do país. — Estamos no aeroporto de Guarulhos. Eu e a Giulia. Acabamos de desembarcar.
David sentiu o chão sumir.
— Aeroporto? Agora?
— Sim, agora! — ela riu. — Sentimos sua falta, decidimos fazer surpresa. Mas dona Lúcia deixou escapar que você anda escondendo alguma coisa importante. O que é, David? Estou preocupada.
A irmã dele, Giulia, gritou ao fundo:
— Conta logo, maninho! A gente já tá aqui!
David encostou a testa na parede fria do corredor. Não tinha mais como fugir.
— Mãe… eu explico tudo em casa. Fiquem aí que eu vou buscar vocês.
— Não precisa, pegamos um táxi. Chegamos em uma hora, n