Arianna ouviu as vozes antes de ver as pessoas, o sotaque italiano misturado com português invadiu o quarto. Ela estava sentada na poltrona de amamentação, dando a mamadeira para Ava, que sugava calma, os olhinhos quase fechando de sono.
O coração dela disparou.
Dona Lúcia tinha avisado mais cedo, enquanto arrumava os quartos das visitas:
“A mãe do patrão é firme, viu? Mesmo morando longe, ainda cuida do filho como se ele tivesse dez anos. Vai chegar querendo saber tudo, mandar em tudo. E agora com a netinha… ai, vai ser um furacão de amor e orientação.”
Arianna engoliu em seco.
Ela era só a babá. Uma babá que morava na casa, que quase beijou o patrão dois dias atrás, que estava ali há poucos dias e já sentia aquele lugar como… algo mais. Errado, ela sabia. Mesmo assim gostava dali.
A porta do quarto se abriu devagar.
David entrou primeiro, o rosto tenso, mas com um sorriso forçado. Atrás dele, uma mulher pequena e elegante – cabelo grisalho preso num coque impecável, vestido floral c