David acordou com a boca seca e um peso no peito que não era só ressaca de uísque.
A luz da manhã entrava pelas frestas da persiana, cortando o quarto em faixas douradas. Ele ficou deitado, imóvel, olhando o teto como se pudesse encontrar ali uma explicação decente para o que quase tinha feito na noite anterior.
Quase.
A palavra martelava na cabeça dele como um mantra cruel.
Quase tocou os lábios dela.
Quase sentiu o gosto.
Quase esqueceu que ela era a babá da filha dele, que havia contrato, multa, regras, consequências.
E o pior: uma parte idiota dele ainda pensava no “e se”.
E se Ava não tivesse chorado?
E se ele tivesse ignorado o choro por mais dois segundos?
E se ela não tivesse recuado?
David passou as mãos no rosto, esfregando forte, como se pudesse apagar a memória.
A mão na cintura dela. O calor da pele através do tecido fino. O jeito que os olhos castanhos dela se fecharam, entregues. O perfume suave que ainda parecia grudado na camisa dele.
— Idiota — murmurou para o quarto