Mundo ficciónIniciar sesiónAlina Valmont acreditava que seu casamento com Damon Blackthorne poderia encerrar décadas de rivalidade entre duas das famílias mais poderosas da cidade. Mesmo sem amor, ela esperava respeito, parceria e a chance de construir um futuro longe das sombras que sempre cercaram seu sobrenome. Mas, diante do altar, Damon não faz promessas de felicidade. Ele promete apenas que ninguém esquecerá aquele dia. Na manhã seguinte à cerimônia, Alina descobre a verdade da forma mais cruel possível: Damon nunca a amou. O casamento foi planejado como parte de uma vingança contra os Valmont, acusados de destruir a vida de Amara Blackthorne, a mãe dele. Humilhada diante da família, da imprensa e de toda a sociedade, Alina se recusa a se transformar na vítima perfeita que todos esperavam. Ela abandona a mansão, rompe com o pai controlador e decide descobrir quais pecados foram escondidos por trás de anos de luxo, silêncio e mentiras. Uma fotografia antiga liga Helena Valmont, mãe de Alina, à misteriosa Amara. A partir dela, segredos começam a surgir, revelando uma história de amizade, traição e conspirações que pode destruir tanto os Valmont quanto os Blackthorne. Enquanto Alina investiga o passado, Damon percebe que a mulher que escolheu usar como instrumento de vingança é muito mais forte do que imaginava. O ódio entre eles se transforma em uma atração perigosa, intensa e impossível de ignorar. Mas confiar no homem que destruiu sua vida pode ser o maior erro de Alina. Entre alianças quebradas, verdades enterradas e sentimentos proibidos, ela precisará decidir se Damon é apenas seu maior inimigo — ou o único homem capaz de ajudá-la a enfrentar a guerra que suas famílias começaram muito antes de seu nascimento.
Leer másO véu de Alina Valmont prendeu no trinco da porta no exato momento em que todos se levantaram para vê-la entrar.
Por um segundo, ninguém percebeu.
O quarteto de cordas continuou tocando no salão principal da antiga propriedade Valmont. As flores brancas pendiam dos arcos de ferro como se aquela casa nunca tivesse conhecido vergonha. Os convidados se viraram em perfeita sincronia, taças na mão, joias brilhando, sorrisos treinados.
Alina sentiu apenas o puxão seco na nuca.
Parou.
A renda delicada esticou atrás dela. Uma das damas tentou soltar o tecido às pressas, mas seus dedos tremiam. Do outro lado das portas abertas, duzentas pessoas esperavam a noiva perfeita da família Valmont caminhar até o altar.
— Não se mexa — sussurrou Helena, sua mãe, aproximando-se por trás.
A voz de Helena Valmont vinha baixa, quase sem ar, como se até respirar forte pudesse manchar aquela cerimônia.
— Vai rasgar — disse a dama.
Alina fechou os olhos por um instante.
O vestido era pesado demais. O buquê pesava. O colar de diamantes, escolhido por Victor Valmont para “honrar a posição da família”, parecia uma coleira fria sobre sua garganta.
— Mãe — Alina murmurou, sem virar o rosto. — Ainda dá tempo?
Helena parou.
A dama também.
Por trás delas, Victor Valmont soltou um som curto, impaciente.
— Não comece.
Alina abriu os olhos.
No fim do corredor central, Damon Blackthorne esperava.
Ele estava impecável.
Terno preto, postura imóvel, rosto sério demais para um noivo. Não havia ansiedade. Não havia ternura. Não havia aquele brilho tolo que Alina tinha visto nos olhos de homens apaixonados em casamentos alheios.
Damon a observava como quem assiste a uma dívida antiga sendo cobrada.
O puxão do véu cessou. A dama conseguiu soltá-lo.
— Pronto — disse ela, aliviada.
Alina não deu o primeiro passo.
Olhou para Damon outra vez.
Ele não sorriu.
Nem uma vez.
Victor aproximou-se dela com o braço oferecido, a boca rígida.
— Ande, Alina. Todos estão olhando.
— Eu também estou olhando — ela respondeu baixo.
O pai virou o rosto devagar.
— O quê?
Alina apertou o buquê. Os caules das rosas machucaram a palma da mão.
— Ele não parece feliz.
Victor soltou uma risada sem humor.
— Homens como Damon Blackthorne não ficam pulando feito garotos em altar. Ele está se casando com você, não se apresentando num circo.
— Pai…
— Basta.
A palavra veio baixa, mas cortou mais do que um grito.
Helena tocou o cotovelo da filha.
— Alina, por favor.
Aquele “por favor” doeu mais que a ordem de Victor.
Porque vinha com medo.
Helena tinha medo de Victor. Medo dos convidados. Medo dos Blackthorne. Medo de qualquer rachadura na fachada da família.
Alina engoliu a pergunta que subia.
Por que ninguém da família Blackthorne parecia celebrar aquele casamento?
Por que Celeste Blackthorne, sentada na primeira fila, vestida de cinza escuro, mantinha o rosto duro como pedra?
Por que Serena Ashford, a mulher que todos diziam ter sido “quase prometida” a Damon, estava ali, usando um vestido champanhe ousado demais para uma convidada, olhando para Alina com um sorriso fino?
Por que Damon parecia um carrasco?
Victor prendeu a mão dela em seu braço.
— Sorria.
Alina sorriu.
O corredor começou.
Os músicos mudaram o tom, e o salão inteiro respirou aquela entrada como se tudo fosse belo. Câmeras discretas capturavam cada passo. O casamento do ano. A união que encerraria décadas de rivalidade elegante entre os Valmont e os Blackthorne. A aliança entre dinheiro antigo e império moderno.
Alina ouviu cochichos enquanto caminhava.
— Está linda…
— Uma Valmont legítima…
— Damon Blackthorne finalmente escolheu…
— Não parece apaixonado, não é?
Essa última frase entrou como agulha.
Ela manteve o rosto erguido.
Damon continuava imóvel.
Quanto mais perto ela chegava, mais nítidos ficavam os olhos dele. Cinzentos. Frios. Não vazios. Piores que vazios.
Cheios de algo que ela não entendia.
Quando Victor entregou a mão de Alina a Damon, houve uma pequena pausa.
Damon demorou um segundo a tocá-la.
Só um segundo.
Mas Alina sentiu.
O pai dela também.
Victor endureceu o maxilar.
Damon segurou sua mão com firmeza calculada. Seus dedos eram quentes, mas o gesto não tinha carinho. Parecia posse. Parecia assinatura.
— Você está atrasada — ele disse baixo, sem mover os lábios quase.
Alina piscou.
A primeira frase do noivo no altar.
Não era “você está linda”.
Não era “fique calma”.
Não era sequer uma mentira educada.
— Meu véu prendeu — ela respondeu no mesmo tom.
— Mau presságio.
Ela virou levemente o rosto para ele.
— Você acredita em presságios?
Damon olhou para o padre à frente.
— Acredito em consequências.
Antes que Alina pudesse responder, a cerimônia começou.
As palavras passaram ao redor dela como água turva.
União.
Compromisso.
Família.
Honra.
Alina ouviu tudo e não segurou nada.
Damon dizia as respostas na hora certa, com voz firme. Nenhum erro. Nenhuma hesitação. Era estranho. Ele se comportava como se tivesse ensaiado cada sílaba, mas não para casar.
Para vencer.
Quando chegou a vez dos votos, Alina recebeu o papel dobrado de uma das damas. Tinha escrito aquelas palavras três noites antes, sozinha no quarto, tentando acreditar que aquele casamento podia ser mais do que uma negociação entre sobrenomes.
Ela tinha escrito sobre respeito. Sobre construir algo novo. Sobre deixar para trás as sombras das duas famílias.
O papel tremeu entre seus dedos.
Damon percebeu.
Pela primeira vez, os olhos dele desceram para a mão dela.
— Alina — chamou o padre, com suavidade. — Seus votos.
Ela respirou.
— Damon… — começou.
A voz saiu menor do que ela queria.
Serena sorriu na primeira fila, atrás de Celeste.
Alina viu.
E alguma coisa dentro dela se recusou a murchar diante daquela mulher.
Ela dobrou o papel.
Não leu.
— Eu fui criada para acreditar que o nome Valmont vinha antes de qualquer desejo meu — disse, olhando para Damon. — Hoje, pela primeira vez, eu espero que uma escolha feita por nossas famílias possa se tornar uma escolha minha também. Eu não prometo perfeição. Não prometo obedecer em silêncio. Mas prometo verdade. Prometo não fingir amor onde houver apenas conveniência. E prometo que, se houver uma chance real entre nós, eu não vou fugir dela.
Um murmúrio leve percorreu o salão.
Victor se mexeu na cadeira.
Helena baixou os olhos.
Damon olhou para Alina como se ela tivesse acabado de colocar uma faca sobre a mesa.
— Interessante — ele murmurou.
O padre pareceu não ouvir.
— Damon, seus votos.
Um assistente entregou a ele um papel.
Damon nem abriu.
— Alina Valmont — disse ele.
A forma como pronunciou o sobrenome dela fez o estômago de Alina afundar.
— Eu aceito este casamento diante de nossas famílias, diante desta cidade e diante de todos os que vieram testemunhar o que começa hoje. Prometo honrar o compromisso firmado. Prometo dar ao seu nome o lugar que ele merece na minha casa. E prometo que ninguém esquecerá este dia.
O silêncio depois foi estranho.
Os convidados aplaudiriam se aquilo tivesse soado como amor. Mas não soou. Nem como promessa.
Soou como sentença.
Alina sentiu a boca secar.
— Isso foi um voto? — ela perguntou, baixo o bastante para só ele ouvir.
Damon inclinou o rosto quase imperceptivelmente.
— Foi o suficiente.
As alianças vieram.
A mão de Alina tremia quando Damon deslizou o anel em seu dedo. O diamante central capturou a luz dos lustres e lançou um brilho duro sobre sua pele.
Quando foi a vez dela, Damon estendeu a mão.
Ela segurou a aliança dele por um segundo a mais.
Quis perguntar ali mesmo.
Por que você está fazendo isso?
Mas duzentas pessoas observavam.
E Alina Valmont tinha sido treinada a sangrar por dentro sorrindo por fora.
Ela colocou a aliança.
— Eu os declaro marido e mulher.
A frase estalou no salão.
As palmas vieram em seguida, altas, elegantes, perfeitas.
Damon não se inclinou de imediato.
Alina levantou o rosto.
Ele olhou para a boca dela sem desejo. Depois para os olhos.
— Vamos dar a eles o espetáculo que vieram comprar — disse.
Então a beijou.
Não foi um beijo doce.
Não foi longo.
Mas também não foi indiferente.
Foi controlado demais, firme demais, como se Damon quisesse provar algo para si mesmo e odiasse o resultado. A mão dele tocou a cintura dela, e Alina sentiu os dedos pressionarem o tecido do vestido. Por um segundo, o corpo dela esqueceu o medo.
Depois ele se afastou.
Os aplausos aumentaram.
Damon soltou Alina antes que ela recuperasse o equilíbrio.
A festa começou como se nada estivesse errado.
Champanhe. Música. Fotografias. Cumprimentos. Discursos.
— Sei.Alina olhou para a noite.— Eu amo você, Damon.Ele ficou imóvel.Não sorriu.Não avançou.Parecia ter medo de respirar alto demais e estragar a frase.Alina continuou:— Mas eu não amo a história inteira. Não amo o que você fez. Não amo quem precisei virar para sobreviver a você. Não amo o fato de que parte do nosso começo sempre vai doer.— Eu sei.— E não vou casar para limpar isso.— Não quero limpar.— Quer, sim. Uma parte de você quer.Ele fechou os olhos.— Sim.— Então essa parte vai esperar.Damon abriu os olhos.— Quanto tempo?Alina sorriu de leve.— Você ainda gosta de prazos.Ele soltou uma risada baixa, triste.— Gosto.— Eu não tenho prazo. Tenho condições.— Quais?— Terapia.Ele ficou sério.— Já marquei.Ela arqueou a sobrancelha.— Individual, não só aquela consultoria emocional de executivo que você chamaria de terapia.— Individual. Trauma, luto, controle. O pacote humilhante completo.Ela quase riu.— Bom.— Próxima?— A guarda de Clara fica formalmente or
— Melhor do que parede.Alina ficou quieta.Depois sorriu.— Sim. Melhor.A casa escolhida para a recuperação não foi a mansão Blackthorne.Também não foi a Valmont.Foi uma casa pequena perto da serra, alugada em nome de Alina, com contrato revisado por Elias e segurança discreta escolhida por ela. Tinha varanda, jardim simples, duas árvores no fundo e uma cozinha onde o sol entrava de manhã.Damon não morava lá.Essa foi uma das primeiras condições.Ele podia visitar em horários combinados. Podia acompanhar consultas, se Alina permitisse. Podia participar das decisões relativas ao bebê conforme conquistasse confiança, não por imposição biológica.Ele aceitou.Não com facilidade.Com esforço visível.Alina viu o esforço e não o recompensou como se fosse favor.Adultos não merecem medalha por respeitar limites.Mas registrou.O tempo passou.A barriga cresceu.As manchetes mudaram.O mundo encontrou novos escândalos, mas o caso Valmont-Blackthorne continuava em investigações, audiênci
— Isso você vai dizer para mim, para a polícia ou para a imprensa?Damon levantou os olhos.— Para todos. Na ordem que você permitir.A palavra permitir estava ali de novo.E, dessa vez, parecia entendida.Alina respirou fundo.— Você vai dizer primeiro para a imprensa. Publicamente. Sem me usar como esposa. Sem falar por mim. Sem transformar minha gravidez em redenção sua.— Sim.— Vai dizer que me humilhou.A mandíbula dele apertou.— Sim.— Que se casou comigo por vingança.— Sim.— Que me rejeitou diante das famílias.— Sim.— Que a noite entre nós não foi erro meu, mas sua covardia no dia seguinte foi.Damon fechou os olhos.Quando abriu, estavam vermelhos.— Sim.Helena baixou a cabeça.Alina continuou:— E vai dizer que meu filho não será apresentado como herdeiro Blackthorne em nenhuma coletiva, nota, declaração, reunião ou documento sem minha autorização.— Sim.— Não “nosso filho”?Damon ficou imóvel.A dor passou pelo rosto dele, mas ele não corrigiu.— Seu filho — disse. —
Ele levantou o rosto.— Eu sei.A resposta simples doeu.— Então não jure bonito — ela sussurrou. — Faça feio, faça difícil, faça todo dia. Mas faça.Damon assentiu.— Vou fazer.A ambulância freou.As portas abriram.O ar frio da entrada do hospital entrou como choque.Mãos puxaram a maca. Vozes se misturaram. Luzes brancas, corredores, rodas batendo no piso, alguém perguntando nome completo, idade, tempo de gestação, tipo sanguíneo.Alina perdeu Damon de vista por um segundo e entrou em pânico.— Damon!Ele apareceu imediatamente ao lado da maca, correndo junto.— Estou aqui.Um médico bloqueou a passagem.— O senhor precisa aguardar aqui.Damon abriu a boca.Alina viu a reação antiga chegando: a ordem, o dinheiro, a ameaça, o sobrenome.Antes que ele dissesse qualquer coisa, ela segurou sua mão.— Não brigue.Ele parou.O médico olhou entre os dois.— Só a equipe entra agora. Precisamos estabilizá-la e fazer exames. Chamaremos assim que possível.Damon respirou como se aquilo fosse





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