Cecília Eu estava sentada na beirada da cama quando ouvi batidas suaves na porta.Desde que saíra do escritório, permanecera ali, observando o jardim pela janela enquanto segurava minha pequena bolsa junto ao peito. Era um hábito antigo. Sempre que me sentia perdida, acabava segurando aquela bolsinha como se ela pudesse me lembrar quem eu era.Talvez porque, de certa forma, ela realmente lembrasse.Ali estavam meus documentos.O pouco dinheiro que ainda possuía.E tudo o que restava da vida que eu havia deixado para trás naquela manhã.— Pode entrar.Imaginei que fosse Clarice.Por isso levei alguns segundos para perceber que a pessoa que atravessou a porta não era ela.Era Marcello.O dono da casa precisou se inclinar ligeiramente ao passar pelo batente. Alto, largo de ombros e dono de uma presença que parecia ocupar mais espaço do que o próprio corpo, ele fechou a porta atrás de si e permaneceu alguns segundos parado, como se estivesse escolhendo cuidadosamente as palavras.Aquilo,
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