Mundo ficciónIniciar sesiónCarolina Herrera já fora feliz uma vez na vida. O momento em que começou a alcançar todos os seus sonhos, segurando mais um diploma em mãos, foi quando se sentiu mais realizada. Entretanto, os ciclos da vida giram, e ela se viu em uma fase crítica. Com a empresa de seu pai sendo saqueada por um de seus melhores amigos, a família foi levada à beira da falência. Como uma boa filha, Carolina desejava encontrar uma forma de ajudá-los. Foi então que Thiago surgiu em sua vida com uma proposta tentadora: sua família injetaria dinheiro para salvar os Herrera. O que Carolina não sabia era que aquele acordo marcava o início de sua descida ao inferno. Os motivos de Thiago para propor um casamento por contrato iam além dos negócios—ele queria alguém em quem pudesse pisar à vontade, sem medo de críticas. E ela se tornou o verme que ele adorava esmagar. Até que, por um trágico acidente, tudo que lhe restou foi ser vendida como pagamento pelo crime do próprio marido, numa tentativa desesperada de impedir que sua mãe fosse a próxima vítima de sua crueldade. Entre a forca e a espada, Carolina tinha apenas uma escolha: decidir como morrer. Mas, ao lembrar de seus dias bons e ao encarar o humor infernal de seu segundo marido, percebeu que, se era para cair, levaria todos ao inferno consigo.
Leer másAviso importante:
Esta história, apesar de ser um romance, contém diversos gatilhos. Por isso, recomendo que leiam com atenção e respeitem seus próprios limites. Se, em algum momento, sentirem desconforto, não se forcem a continuar. A trama aborda temas sensíveis, incluindo tentativa de suicídio, violência doméstica, traição, agressão, cárcere privado e cenas explícitas de sexo. Sendo assim, trata-se de uma obra destinada a maiores de 18 anos. Agradeço por escolherem me apoiar nesta jornada e espero que apreciem a leitura. Para não perder nenhuma novidade, entrem no grupo de leitores no W******p ou Telegram. *** Carolina Velórios são macabros. Não importa quanta dor esteja em seu coração, as pessoas querem que você continue encarando repetidamente o corpo dentro do caixão, esquecendo-se de que o morto ali já foi alguém que fez seu coração sorrir. "Mas de que importam os sorrisos?" Me pergunto. Faz muito tempo que me esqueci dos motivos para dá-los. Por isso, deixo que as lágrimas espessas rolem pelo meu rosto sem controle. Talvez seja esse o único momento em que posso chorar sem ser criticada. Meu marido, Thiago, odiava o quanto eu chorava quando nos casamos. Ainda que tivesse todas as justificativas do mundo para liberar minha dor através das lágrimas, o belo anjo que se mostrou como um salvador para minha família em um momento difícil tornou-se o demônio que devoraria minha alma. Ele me observa de canto, me vigia para ter certeza de que não estou tentando me aproximar de ninguém, que não tento explicar os verdadeiros motivos que me fazem chorar hoje. Perder meu pai foi um grande choque. Ele e minha mãe eram tudo que me restava. Achei que, se esperasse pacientemente, encontraria um meio de contar a eles o que estava acontecendo comigo, que poderia me livrar de Thiago. Entretanto, na viagem para me encontrar, meu pai sofreu um acidente e perdeu a vida. Se Deus tem seus preferidos, o demônio também tem. Mesmo estando no carro com meu pai, Thiago saiu apenas com escoriações leves, enquanto meu herói perdeu a vida. Sinto novamente o peso de seus olhos sobre mim. Não sei o que ele disse aos convidados, mas enquanto olho para dentro do caixão, todos me evitam como se eu carregasse uma praga. Não querem nem ficar no mesmo espaço que eu. Queria, ao menos, ver minha mãe, confortá-la. Meu pai era o seu mundo. Se meu coração dói desse jeito, imagino o que ela deve estar sentindo, como sua mente deve estar nublada. Mas tem sido difícil vê-la. Ela entrou em choque ao receber a notícia, passou um dia inteiro dormindo, e eu fui tratada como a filha ingrata que não a visitou—quando, na verdade, o único motivo para minha ausência foi meu marido. Ele é a causa de todas as minhas dores que não estão ligadas à morte do meu pai. Sem a permissão de Thiago, não posso sair de casa. Ele sempre manda um de seus cães de guarda me acompanhar, porque sabe que eu tentaria fugir. Não seria a primeira vez. Desde o início dos abusos, tentei escapar várias vezes, mas a segurança da mansão sempre impediu que eu levasse meu plano adiante. Thiago queria mais do que a empresa quando fez um acordo com minha família. E conseguiu. Os Ferreira de Castro são uma família grandiosa pelo império que construíram com a produção de soja, enquanto meus pais estavam em ascensão no mercado de alimentação saudável. Nosso nome era reconhecido pela produção de alimentos de qualidade, seja para quem tem alergias ou para aqueles que escolhem um estilo de vida diferente, como o veganismo. A Lifebio era uma parte imensa da vida do meu pai. Devido a um desfalque cometido por seu melhor amigo, meu pai se viu afundando em dívidas que não poderia pagar sem vender tudo o que tínhamos. Busquei soluções por todos os lados, mas Thiago nos encontrou primeiro. Já tínhamos uma relação comercial com sua família. Eles nos forneciam ótimos produtos e, ao perceber nossa situação piorando, ele sugeriu um contrato de casamento, que nos garantiria o dinheiro necessário para manter o negócio—desde que eu permanecesse casada com ele até que todo o montante fosse devolvido. Meu pai odiou a ideia. Minha mãe gritou, dizendo que eu não precisava fazer algo assim. Mas Thiago garantiu que queria uma esposa apenas para acalmar seus pais. Uma mentira conveniente que o livraria de aborrecimentos por um tempo. Eu, ingênua, acreditei que tudo não passaria de um acordo comercial e não percebi a malícia escondida por trás de seus olhos brilhantes. Não seria necessário fazer uma cerimônia. Eu não precisaria cumprir nenhum dever matrimonial. Poderia continuar ajudando meu pai. E isso funcionou… no primeiro mês. No instante em que percebeu que a empresa começava a caminhar bem, ele revelou sua verdadeira face. Nossos encontros — apesar de morarmos na mesma casa apenas para manter as aparências —, que antes se limitavam a cumprimentos e pequenas conversas, tornaram-se o estopim para discussões intermináveis. Até que, em uma dessas brigas, Thiago ergueu a mão e me golpeou com toda a força, sem se importar com o gosto do sangue em minha boca. Eu teria o abandonado naquele dia. Mas ele viu em meus olhos que eu escaparia, que não deixaria sua violência impune. Então, me impediu de levantar. Apenas bateu mais, garantindo que eu não pudesse sair sem ajuda. Lembro-me claramente do olhar do médico que veio me atender no dia seguinte. Ele não ficou surpreso com o que viu. Não se importou nem um pouco com meus pedidos de ajuda, com minhas súplicas para que fizesse algum sinal, qualquer coisa que indicasse que tentaria me salvar. Não houve nada disso. Apenas mais uma ilusão.GaelMinha avó chegou ao hospital não muito tempo depois de anunciarem que eu tinha acordado. Ainda estava processando o fato de que passei três meses desacordado e que, nesse meio-tempo, a pessoa que me atingiu acabou morrendo.Os médicos falaram sobre minha recuperação, garantiram que fariam o possível para que fosse completa, para que eu não precisasse me preocupar, mas tudo o que consegui responder foram afirmações curtas.As imagens do acidente voltaram a me atormentar.Eu fazia meu trajeto habitual quando fui atingido.Lembro-me de permanecer consciente por alguns instantes após o impacto.Recordo-me do som dos gritos, mas não de ter visto o resgate chegar.— Você me parece igualzinho a todos os dias em que fiquei ao seu lado — diz minha avó, quando tenho certeza de que estou muito diferente do que era há três meses. — Por que sua esposa não está com você?— Jorge levou aquela mulher para fora — conto, e ela olha para a porta antes de voltar a me encarar com ar acusador.—
GaelLembro-me de ter um dia relativamente tranquilo.Recordo-me de pensar que estava tudo bem sair um pouco mais cedo do trabalho.Ouço a voz da minha avó reclamando por eu não ter me casado.Lembro-me de como revidei, dizendo que nenhuma mulher despertava meu interesse, e tudo o que ela gritou para mim foi que eu nunca olhei para uma de verdade, como deveria ser feito. Por isso, segundo ela, meu coração não despertava.Não a entendi, nem tentei montar o quebra-cabeça que criava em sua cabeça, porque tudo em que conseguia pensar era que poderia ir para casa e descansar por um tempo maior depois de um belo banho.Não tinha motivos para encontrar uma esposa, mas minha avó insistia no matrimônio. Perdi as contas de quantas vezes tentou, ao longo dos anos, me unir a alguma mulher, mas logo percebia que o interesse delas nunca seria algo semelhante ao amor que queria que eu encontrasse.Apesar da idade, minha avó é uma romântica incurável que acredita ter vislumbres do futuro. Por c
Carolina— Me encontrar longe dos olhos de todos pode ser considerado algo ruim. Quem sabe pensem que se arrependeu? — profiro, sentindo minhas costas travarem quando ele me pressiona contra a parede, apertando minha garganta.— Ouvi dizer que vão te levar para o hospital onde seu novo marido está. Não se esqueça de que tenho olhos em todos os cantos e que não vou deixar sua mãe dormir tranquila se fizer uma besteira — me recorda, como se eu já não soubesse exatamente o que ele pode fazer sem precisar usar sua força dessa forma.Não sou idiota. Tenho que fazer apenas uma coisa, e eu vou realizá-la a qualquer custo, porque sei o que vou perder se deixar que Thiago tire conclusões com sua mente doente.— Continue com o seu bom trabalho para que eu não tenha que sujar meu terno novo — articula, afastando-se, mas ainda sinto seus dedos marcados na minha pele. Sei que essa sensação nunca vai sumir. Ele já me fez carregar dores permanentes antes.— Não vou fazer nada que não deva — murmuro
Carolina— Por que não há um sorriso em seu rosto? Finalmente estamos nos divorciando — diz ele.Faz três meses desde que meu pai morreu e que Thiago negociou com a família Garcia da Silva para evitar qualquer retaliação pelo acidente que deixou seu único herdeiro gravemente ferido.Ele está em coma desde então. Tudo o que sei é que seu nome é Gael.Estou sendo negociada como a peça que deve morrer com ele, mas essa é toda a informação que me concedem. Não se interessam nem um pouco por mim; tudo o que querem é garantir que haja alguma justiça pela morte do rapaz, ainda que ele não tenha sido oficialmente declarado morto.— Fale — ordena, notando meu silêncio.— Você está me vendendo para eles. Sabe que estão furiosos comigo, não tem ideia do que vão fazer com a minha vida, mas isso não importa, porque, ao me entregar a eles, garante sua própria segurança — declaro, recebendo em troca um sorriso satisfeito.— Sempre gostei da sua inteligência, Carolina. Me admira que não pensem em us
Carolina— No que está pensando com esses olhos de peixe morto? — pergunta ao se aproximar, pondo uma mão sobre minha nuca e apertando forte no local onde se acostumou a me machucar. Quer que eu saiba que não posso sair de suas garras.Ele está me dizendo que, se eu me mexer sem pensar demais, vai acabar me surrando de novo, para que eu não saia do lugar. Teriam que me carregar assim como na primeira vez em que tentei fugir.— Em como as pessoas enxergam somente a verdade que querem ver — digo.Ele sorri de um jeito estranho. Não é uma expressão apropriada para um velório, mas Thiago nunca se importou com meus pais ou comigo. Sou apenas o cachorro que ele consegue manter na coleira.Enquanto puder ter seus dedos se entranhando em mim, manterá esse sorriso no rosto. Ele sabe que eu não tenho a quem recorrer, que a única pessoa que poderia me ajudar agora está em um caixão, esfriando, enquanto choramos por sua perda.— Não pense muito nisso. Por que eles olhariam para você? A estrela a
Aviso importante:Esta história, apesar de ser um romance, contém diversos gatilhos. Por isso, recomendo que leiam com atenção e respeitem seus próprios limites. Se, em algum momento, sentirem desconforto, não se forcem a continuar.A trama aborda temas sensíveis, incluindo tentativa de suicídio, violência doméstica, traição, agressão, cárcere privado e cenas explícitas de sexo.Sendo assim, trata-se de uma obra destinada a maiores de 18 anos.Agradeço por escolherem me apoiar nesta jornada e espero que apreciem a leitura.Para não perder nenhuma novidade, entrem no grupo de leitores no WhatsApp ou Telegram.***CarolinaVelórios são macabros.Não importa quanta dor esteja em seu coração, as pessoas querem que você continue encarando repetidamente o corpo dentro do caixão, esquecendo-se de que o morto ali já foi alguém que fez seu coração sorrir."Mas de que importam os sorrisos?" Me pergunto.Faz muito tempo que me esqueci dos motivos para dá-los.Por isso, deixo que





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