APENAS UMA NOITE

APENAS UMA NOITE PT

Romance
Última actualización: 2026-02-02
Tônia Fernandes   Recién actualizado
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Resumen
Índice

APENAS UMA NOITE Filha de italianos tradicionais e criada entre vinhedos e regras rígidas, Gio jamais imaginou que seu destino pudesse ser negociado, mas, na porta da igreja, vestida de noiva e prestes a se casar com um homem muito mais velho, ela faz a única escolha que ainda lhe pertence e foge, recusando-se à vida que havia sido traçada para ela. Ela entra no carro de um desconhecido que está na Toscana a negócios, e, embora não troquem nomes nem façam promessas, é ela quem propõe apenas uma noite, preferindo entregar-se à própria decisão em vez de submeter-se à imposição de um casamento arranjado. —Na manhã seguinte, quando ele desperta, ela já não está mais ali; deixou apenas um bilhete simples, agradecendo-lhe pela ajuda, e partiu sem olhar para trás. Três anos depois, no interior do Oregon, ele retorna a um de seus vinhedos para compreender o motivo pelo qual aquela produção alcançou reconhecimento nacional e encontra uma italiana de lenço na cabeça, dedicada à colheita, com uma criança dormindo às suas costas, sem imaginar que a consequência daquela única noite está diante dele.

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Capítulo 1

####PRÓLOGO

GIO A FULGA

Sempre soube que aquele dia chegaria, mas nunca imaginei o quanto o peso daquele vestido seria tão opressivo quanto a decisão que me aguardava.

A seda branca deslizava pelo meu corpo como uma serpente fria, carregando não apenas o peso da tradição que a sociedade impunha, mas também o orgulho de outros que jamais me consideraram verdadeiramente, costurada não para celebrar o amor genuíno, mas para selar um acordo que nunca foi realmente meu.

— Era como se a costura do vestido estivesse impregnada com expectativas alheias, cada fio representando um desejo, uma exigência vinda de vozes familiares e históricas que falavam do que eu deveria ser, em vez de me permitirem ser quem realmente desejava.

Do lado de fora do carro, os sinos da igreja tocavam incessantemente, cada badalada drenando mais da minha coragem, anunciando à pequena cidade que a noiva estava prestes a chegar, como se aquela sonoridade fosse a coroação do meu destino em um espetáculo social cuidadosamente encenado. — No entanto, eu me vi incapaz de abrir a porta, sentindo uma tempestade de emoções se agitar dentro de mim, comprimindo meus pulmões como se o ar tivesse se tornado insuficiente.

A quantia que meu pai havia recebido, dois milhões de euros, tornava-se uma corrente invisível, prendendo-me a um sistema que trocava minha liberdade por segurança financeira, como se minha vida pudesse ser convertida em cifras e assinaturas.

— Enquanto isso, minha mãe, com um sorriso tenso e elétrico de felicidade forçada, entregava documentos ao meu futuro marido, incluindo o atestado de virgindade, um artefato que simbolizava não apenas minha pureza, mas a propriedade que eu estava prestes a entregar, carimbada, registrada e validada.

Essa humilhação ecoava como um lamento de tempos antigos, retrocedendo a um século em que a vida das mulheres era definida por acordos financeiros e não por escolhas próprias, refletindo um ciclo de submissão que parecia se repetir sob novas roupagens, mas com a mesma crueldade.

A expressão cínica do meu pai, repetindo que tudo era para o meu bem, soava em meus ouvidos como um mantra persuasivo; ele insistia que meu casamento com um homem rico garantiria meu futuro, um «futuro» moldado entre as paredes de um acordo que nunca me foi consultado.

Isso significava unir-me a um viúvo corpulento de cinquenta e cinco anos, cuja presença, em meio às conversas efêmeras dos convidados e aos olhares curiosos, fazia-me sentir como um troféu recém-adquirido, exibido em um evento que mais se assemelhava a um leilão silencioso do que a uma celebração de amor.

— Minhas mãos tremiam sobre o buquê de flores quando vi meu pai afastar-se para avisar a cerimonialista que eu estava pronta, e foi nesse instante que o peso daquele momento tornou-se esmagador.

Se eu não deixasse aquele lugar imediatamente, jamais conseguiria escapar; — minha prisão não estava apenas dentro daquela igreja, mas na estrutura que me cercava, nas expectativas que me aprisionavam, nos sinos que tocavam como se anunciassem não um casamento, mas um sepultamento simbólico da minha vontade.

— Com uma determinação firme e um misto de desespero e bravura ardendo em meu peito, abri a porta do carro.

O frio do metal contra minhas mãos trouxe um breve momento de lucidez; antes de verificar se alguém me observava, levantei discretamente a barra do vestido moldado para a ocasião, agora transformado em símbolo de um destino que eu recusava aceitar.

Meu coração acelerava enquanto caminhei em direção ao estacionamento lateral, tentando manter a aparência de normalidade até que vi, a poucos metros, uma elegante Mercedes preta estacionando diante do restaurante próximo à igreja.

— Quando avistei aquele carro, percebi que poderia ser minha única saída do pesadelo que estava prestes a se concretizar.

Aproximei-me do veículo com passos rápidos, sentindo a adrenalina percorrer meu corpo, dando-me coragem para o ato que mudaria tudo. — Abri a porta traseira com a urgência de quem não fugia apenas de um lugar, mas de uma vida inteira de imposições.

O motorista, um homem que parecia tão surpreso quanto intrigado ao me ver, virou lentamente o rosto na minha direção. — Seus olhos, de um azul intenso que lembrava o céu claro de verão, fixaram-se em mim com atenção imediata, como se tentassem compreender a tempestade que eu carregava.

— Leve-me daqui — pedi em italiano, a voz trêmula pela pressa e pelo medo. — Não vou me casar com aquele homem.

Ele franziu a testa, claramente confuso.

— Você está fugindo? — perguntou em inglês, revelando que não era italiano como imaginei.

— Sim, e por favor, me leve antes que percebam que estou fugindo — respondi, esforçando-me para organizar as palavras na língua dele. — Meu pai está me forçando a esse casamento.

Ele me observou em silêncio, e percebi que precisava dizer mais, precisava expor o absurdo da situação para que ele compreendesse a gravidade.

— Sou parte de um acordo, entende? Um contrato lucrativo para minha família. — Meu pai me vendeu por dois milhões de euros para que eu me casasse com um homem que poderia ser meu pai. — Eles trocaram minha liberdade por dinheiro.

As palavras saíam carregadas de vergonha e revolta, e eu podia sentir o peso de cada sílaba enquanto falava.

— Já receberam o dinheiro — continuei. — Já entregaram os documentos, já entregaram o atestado de pureza exigido pelo noivo.

— Agora só falta eu entrar naquela igreja e fingir felicidade enquanto eles comemoram.

Os sinos tocaram novamente, atravessando-me como lâminas invisíveis.

— Não vou entrar naquela igreja — declarei, a respiração curta.

— Prefiro enfrentar o desconhecido a aceitar essa vida que decidiram por mim.

Ele me encarou com intensidade crescente.

— Se você não me tirar daqui agora, eu juro que me mato, e não estou brincando, se eu entrar naquela igreja, e vou me matar antes do fim do dia.

O silêncio que se seguiu foi pesado, denso, quase físico.

— O que está acontecendo aqui, e quem é você? — perguntou, a voz agora firme.

— Sou uma noiva vendida pelo próprio pai, resolvi fugir.— respondi sem hesitar.

Ele respirou fundo, avaliando o que eu dizia, e lançou um olhar pelo retrovisor em direção à igreja.

Inclinei-me em sua direção, segurando o vestido com força.

— Se você tem mãe ou irmã, pense nelas e me leve daqui.

Se eu entrar naquele lugar, eu me mato com a faca do bolo na frente de todos.

A tensão dentro do carro parecia pulsar.

Ele tomou uma decisão.

— Coloque o cinto, vou te tirar daqui, agora, mas você vai me explicar tudo com calma.

O motor foi acionado, e deixamos aquele lugar para trás enquanto a imagem da igreja diminuía no retrovisor.

E, pela primeira vez naquela manhã, senti algo diferente do medo, senti a coragem de recomeçar.

— Fugi pela minha segurança e para conquistar a minha liberdade, compreendendo que, ainda que o futuro fosse incerto, ele ao menos seria resultado da minha própria escolha.

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