Mundo de ficçãoIniciar sessãoAPENAS UMA NOITE Filha de italianos tradicionais e criada entre vinhedos e regras rígidas, Gio jamais imaginou que seu destino pudesse ser negociado, mas, na porta da igreja, vestida de noiva e prestes a se casar com um homem muito mais velho, ela faz a única escolha que ainda lhe pertence e foge, recusando-se à vida que havia sido traçada para ela. Ela entra no carro de um desconhecido que está na Toscana a negócios, e, embora não troquem nomes nem façam promessas, é ela quem propõe apenas uma noite, preferindo entregar-se à própria decisão em vez de submeter-se à imposição de um casamento arranjado. —Na manhã seguinte, quando ele desperta, ela já não está mais ali; deixou apenas um bilhete simples, agradecendo-lhe pela ajuda, e partiu sem olhar para trás. Três anos depois, no interior do Oregon, ele retorna a um de seus vinhedos para compreender o motivo pelo qual aquela produção alcançou reconhecimento nacional e encontra uma italiana de lenço na cabeça, dedicada à colheita, com uma criança dormindo às suas costas, sem imaginar que a consequência daquela única noite está diante dele.
Ler maisO PACTO DOS GIGANTESPaul subiu as escadas com passos pesados, mas, pela primeira vez em horas, seu coração estava leve. Ao entrar no quarto, encontrou Gioconda sentada na beira da cama, envolta no pequeno Felipo, que já começava a cochilar, alheio à tempestade que rugia do lado de fora. Quando ela levantou o olhar, seus olhos vermelhos e marejados transmitiam a fragilidade de um momento tenso e delicado.— Eles se foram? — a voz dela era apenas um fio, mal conseguindo se sustentar diante da incerteza.— Sim. Eu já dei ordens expressas à segurança: a entrada deles aqui está terminantemente proibida — afirmou Paul, aproximando-se e ajoelhando-se diante dela, de forma que seus olhares se encontrassem. — Você não precisa mais se preocupar com o Luigi ou com a Mariana. Eles não têm mais poder sobre você.Um suspiro trêmulo escapou dos lábios de Gioconda, mas logo a indignação tomou o lugar do medo. A memória dos momentos felizes que compartilhavam en
A VERDADE QUE ESMAGAO silêncio na sede da vinícola era tão denso que se podia ouvir a respiração pesada de Luigi. Paul Moretti não entrou na sala apenas como um empresário; ele entrou como um leão protegendo sua alcateia. Seus olhos varreram o ambiente, passando pelo desdém de Sabine até pararem na figura autoritária, porém agora acuada, de Luigi.— Então… esses são os seus pais, Gioconda? — Paul perguntou, a voz saindo como um trovão controlado. — São esses os dois que tiveram a coragem de vender a própria filha para um sádico por um punhado de euros?Gioconda sustentou o olhar do pai por mais um segundo, mas sentiu que Felipo começava a ficar inquieto em suas costas. A energia pesada daquela sala estava afetando a criança.— Sim, Paul. São eles — respondeu ela, com uma voz carregada de uma mágoa antiga que finalmente encontrava a saída. — Por favor, converse com eles. Eu preciso tirar meu filho daqui imediatamente. Não quero que ele presencie
— PESO DAS RAÍZESO desembarque no Aeroporto Internacional de Portland não teve nada da beleza das colinas da Toscana. Para Luigi, o ar parecia pesado, carregado com a umidade do Oregon e a fúria que ele tentava conter sob seu terno caro. Mariana caminhava ao lado dele, os olhos vermelhos de quem não dormira durante as horas de voo, dividida entre a saudade da filha e o medo do que o marido seria capaz de fazer.Sabine os esperava no saguão, encostada em uma coluna, com óculos escuros que escondiam o prazer que sentia ao ver o estrago que causara. Ela acenou com uma elegância gélida.— Sejam bem-vindos ao cenário da ruína de vocês — disse ela, sem qualquer traço de empatia.Ela os conduziu até seu apartamento luxuoso. Assim que as portas se fecharam, Sabine retirou os óculos e serviu-se de uma taça de vinho, ignorando o cansaço dos dois.— Vejam bem onde estamos — começou Sabine, apontando para o vazio do apartamento que um dia compartil
EXPOSIÇÃO E O VENENOSabine não era o tipo de mulher que aceitava a derrota como um desfecho definitivo. Para ela, o fim de um ciclo era apenas o pretexto para o início de uma vingança meticulosa. Ela podia ter saído daquela vinícola em silêncio, mas seu silêncio não era de submissão; era o silêncio da pólvora antes da explosão. O que ela havia perdido não era apenas um homem chamado Paul Moretti. Ela havia perdido o controle sobre o império, o status de esposa intocável e a segurança de um cofre cheio. E, no mundo de Sabine, ferir o seu ego era assinar uma sentença de guerra.Sentada no sofá de couro de seu apartamento provisório em Portland, ela encarava o celular com um brilho gélido nos olhos. O aparelho refletia a imagem de uma mulher ferida, mas ainda letal.— Você quis brincar com fogo, Paul… — murmurou ela para as paredes vazias, com um sorriso que não alcançava os olhos. — Agora você vai aprender que o fogo que eu acendo não aquece; ele reduz tud





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