Mundo ficciónIniciar sesiónAPENAS UMA NOITE Filha de italianos tradicionais e criada entre vinhedos e regras rígidas, Gio jamais imaginou que seu destino pudesse ser negociado, mas, na porta da igreja, vestida de noiva e prestes a se casar com um homem muito mais velho, ela faz a única escolha que ainda lhe pertence e foge, recusando-se à vida que havia sido traçada para ela. Ela entra no carro de um desconhecido que está na Toscana a negócios, e, embora não troquem nomes nem façam promessas, é ela quem propõe apenas uma noite, preferindo entregar-se à própria decisão em vez de submeter-se à imposição de um casamento arranjado. —Na manhã seguinte, quando ele desperta, ela já não está mais ali; deixou apenas um bilhete simples, agradecendo-lhe pela ajuda, e partiu sem olhar para trás. Três anos depois, no interior do Oregon, ele retorna a um de seus vinhedos para compreender o motivo pelo qual aquela produção alcançou reconhecimento nacional e encontra uma italiana de lenço na cabeça, dedicada à colheita, com uma criança dormindo às suas costas, sem imaginar que a consequência daquela única noite está diante dele.
Leer másGIO e PAUL PAUL O vinho desceu fácil demais, ela ria alto e gesticulava, contando como escapou da limousine, levantando o vestido no meio do estacionamento como se estivesse fugindo de um incêndio em plena festa de verão. e esse clima me contagiou. — A cada taça que esvaziava, a tensão que a acompanhava parecia evaporar, substituída por uma euforia quase infantil, quase perigosa. — Está quente, essa camisa está me incomodando... Antes que eu pudesse responder, ela começou a desabotoar os botões da minha camisa, que ela vestia e o tecido escorregou por seu corpo, revelando novamente a lingerie branca que contrastava com a pele levemente corada pelo vinho. — Aproximou-se como se estivesse perfeitamente confortável naquela situação absurda e sentou-se no meu colo, deixando-me completamente sem eixo, seus olhos brilhavam, as bochechas estavam rosadas, e o sorriso era de quem havia acabado de vencer uma guerra pessoal. Ela inclinou-se até meu ouvido e sussurrou: — Eu quero ser su
PAUL— Para onde você está me levando? — ela perguntou, cruzando as pernas com naturalidade perturbadora.— Para o meu apartamento.— Ótimo, e quando chegarmos lá, eu quero abrir uma garrafa de vinho para comemorar, com você minha liberdade. Você estava estacionado para quê?— Eu ia resolver um negócio importante agora.— Então liga para a pessoa com quem você estava falando e diz que está socorrendo uma donzela desesperada e que você resolve o resto amanhã, porque hoje você vai me socorrer.Eu ri sem conseguir entender de onde veio esse furacão?— Você nem me conhece e já está organizando a minha agenda?Ela estendeu a mão com solenidade teatral.— Prazer, eu sou Gioconda, mas pode me chamar de Gio, e você é o Paul, ouvi o seu amigo falar quando entrei no seu carro. Aliás, você fala italiano muito bem, mas tem sotaque.— Eu estou aqui a negócios, e sou meio italiano.— respondi, tentando manter o mínimo de compostura.— E você tem casa aqui?— Tenho um apartamento.— Posso passar
PAULEstava estacionando a Mercedes em frente ao restaurante enquanto falava ao telefone com Marcello, que provavelmente já devia estar sentado à mesa escolhendo o vinho antes mesmo de eu desligar o motor.— Estou estacionando, me espera aí e já vai pedindo nossa comida, porque eu não quero ouvir você reclamar que eu cheguei atrasado outra vez.Ele riu do outro lado da linha e disse que eu sempre tinha uma desculpa diferente, que nenhum empresário ficava preso no trânsito da Toscana a menos que estivesse paquerando alguma italiana.— Marcello, eu trabalho, você fofoca, essa é a diferença entre nós dois — respondi, girando o volante para alinhar o carro perfeitamente entre as faixas brancas.— Eu estava prestes a desligar a chave quando a porta do passageiro foi aberta com uma violência contida, como se quem a abrisse estivesse lutando contra o próprio medo, e uma noiva, vestida da cabeça aos pés de branco, entrou no meu carro.Por alguns segundos, eu fiquei olhando para o para-brisa,
GIO A FULGA Sempre soube que aquele dia chegaria, mas nunca imaginei o quanto o peso daquele vestido seria tão opressivo quanto a decisão que me aguardava. A seda branca deslizava pelo meu corpo como uma serpente fria, carregando não apenas o peso da tradição que a sociedade impunha, mas também o orgulho de outros que jamais me consideraram verdadeiramente, costurada não para celebrar o amor genuíno, mas para selar um acordo que nunca foi realmente meu. — Era como se a costura do vestido estivesse impregnada com expectativas alheias, cada fio representando um desejo, uma exigência vinda de vozes familiares e históricas que falavam do que eu deveria ser, em vez de me permitirem ser quem realmente desejava. Do lado de fora do carro, os sinos da igreja tocavam incessantemente, cada badalada drenando mais da minha coragem, anunciando à pequena cidade que a noiva estava prestes a chegar, como se aquela sonoridade fosse a coroação do meu destino em um espetáculo social cuidadosamente
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