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02. Uma única coisa a fazer – Parte 2

Carolina

— Me encontrar longe dos olhos de todos pode ser considerado algo ruim. Quem sabe pensem que se arrependeu? — profiro, sentindo minhas costas travarem quando ele me pressiona contra a parede, apertando minha garganta.

— Ouvi dizer que vão te levar para o hospital onde seu novo marido está. Não se esqueça de que tenho olhos em todos os cantos e que não vou deixar sua mãe dormir tranquila se fizer uma besteira — me recorda, como se eu já não soubesse exatamente o que ele pode fazer sem precisar usar sua força dessa forma.

Não sou idiota. Tenho que fazer apenas uma coisa, e eu vou realizá-la a qualquer custo, porque sei o que vou perder se deixar que Thiago tire conclusões com sua mente doente.

— Continue com o seu bom trabalho para que eu não tenha que sujar meu terno novo — articula, afastando-se, mas ainda sinto seus dedos marcados na minha pele. Sei que essa sensação nunca vai sumir. Ele já me fez carregar dores permanentes antes.

— Não vou fazer nada que não deva — murmuro. E não demorou muito para que eu fosse chamada para ser levada ao hospital.

Não sei que diferença faz quando já me fizeram assinar os papéis. Pronto, o herdeiro deles está casado. Por que preciso me encontrar com ele? Ainda assim, as folhas em minhas mãos parecem mais pesadas do que deveriam. O contrato que assinei foi lido apenas por Thiago e, mesmo que eu quisesse mudar qualquer coisa, não poderia.

Não estou no controle da minha vida.

Eles decidiram tudo, e eu tenho apenas que aceitar.

Noto os olhos do motorista sobre mim. Ele me observa como se soubesse que meu coração já não sente as coisas como deveria, que a dor não me fere como um dia feriu e que minhas lágrimas não podem cair, por mais que eu queira.

Leio as linhas cuidadosamente. Nada parece estar errado, exceto o fato de que me casaram com um homem em coma. Antes que chegue à parte sobre minhas obrigações como esposa de Gael, o motorista avisa que já chegamos e que preciso descer.

Dentro do veículo, olho para os lados. O motorista me deixou sozinha, esperando que eu saia por conta própria. Não me lembro da última vez que não fui arrastada para algum lugar.

"Essa seria uma grande oportunidade para escapar", alerta uma parte da minha mente. Eu vejo a saída. Sei que não precisaria correr muito para alcançar a liberdade. Mas o lado que conhece as consequências não me deixa me mover.

Saio do carro e olho para o homem que me indica o caminho em silêncio. Seguro os papéis do contrato com força. Não consigo sentir alívio, mesmo sabendo que essa pessoa não tem ligação com Thiago. Mas sei que ele está me vigiando. Seus capangas estão por perto.

— Por aqui, senhora — diz o homem, abrindo a porta do quarto para que eu entre.

A enfermeira presente me observa, e eu apenas a cumprimento com um aceno. Não me deixaram tirar o vestido de noiva, então deve ser estranho para ela ver uma mulher vestida assim nesse lugar.

Olho ao redor. Tentaram tornar o quarto mais acolhedor, talvez acreditando que isso pudesse fazer Gael despertar. Mas não sei se um coração pode ser tocado dessa maneira.

Minha mente rodopia, e cambaleio em direção à poltrona enorme no canto do quarto. Meu estômago dói. O motorista saiu junto com a enfermeira, deixando-nos a sós. Mas duvido que o homem na cama possa se importar com uma mulher que ele não conhece, morrendo de fome ao seu lado.

Inclino a cabeça para trás, tentando focar meus olhos em um único ponto para não sucumbir à dor. Não é a primeira vez que ultrapasso os limites da fome. Thiago gostava da ideia de me ver rastejar por grãos de comida.

Assim que as imagens param de se mover de um jeito estranho diante dos meus olhos, volto meu olhar para a cama. O homem continua lá, inerte, sem notar a presença de uma estranha invadindo seu espaço. Mas não pode me culpar por isso. Sua família armou tudo.

Deram sorte de encontrar alguém disposta a se submeter e uma mulher que não poderia fugir do destino imposto. Ele aceitaria bem o que sua família fez ou preferiria morrer sozinho?

— O que as pessoas conseguem fazer com a gente... — murmuro, observando-o. — Não entendo por que sua avó quis que eu viesse até aqui — digo, sabendo que não obterei respostas.

Olhar para ele assim me lembra de como meu pai estava dentro daquele caixão. As lembranças me atingem em cheio, fazendo meus olhos arderem. Antes que possa conter, as lágrimas já estão rolando pelo meu rosto.

Este não é o melhor momento para chorar.

Estou em um quarto com alguém entre a vida e a morte, enquanto ainda tenho a minha própria vida para tentar mudar as coisas. Mas sei que não posso. Não sem um preço alto para outra pessoa.

E, por mais que doa, não sou egoísta o suficiente para desejar que minhas feridas alcancem outro. Tudo que eu queria era uma vida tranquila. Uma nova chance para não me meter em um caos sem saída de novo. Mas até mesmo a esperança de fazer pedidos me foi tirada.

— Sinto muito por chorar — balbucio. Mesmo que ele não possa me ouvir, sou apenas uma intrusa trazendo mais escuridão ao seu mundo. Alguém como ele não deveria ter que lidar com isso. — Pelo menos aqui, sei que ninguém vai me atacar — digo, com soluços cortando minhas palavras.

Puxo minhas pernas contra o corpo, apoiando os pés no estofado, antes de esconder o rosto ali. Não quero fazer barulho. Não quero incomodar. Mas a chance de liberar minha dor é rara.

"Sinto muito, Gael, mas te entregaram alguém quebrada", penso, enquanto minhas lágrimas se perdem no tecido do vestido. O peso no meu peito, porém, não desaparece.

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