Um Don para a dama da máfia
Um Don para a dama da máfia
Por: Edi Beckert
Um acordo de negócios?

Capítulo 1

Astrid Eriksson

Para ser a dama da máfia Suéca, Astrid tem de casar a tempo. E João Miguel foi o homem que ela escolheu. Só que no dia do casamento Astrid ouviu voz de amor no quatro de João.

— Hmmm... Ahhhh... — eram gemidos?

Ele está subindo numa mulher? Ele me traiu?!!!

Segurei o vestido de noiva e mesmo de salto, meti um chute na porta do jeito que aprendi desde menina. A porta cedeu.

Mas no instante em que entrei— O alarme de incêndio disparou. Um som estridente tomou o ambiente, seguido de fumaça se espalhando rapidamente.

— Mas que porra…? — vi sombras. Uma silhueta feminina, senti cheiro de perfume, e ouvi a voz:

— O que aconteceu? — A voz… era conhecida, mas não parecia de João Miguel. Eu não tinha certeza.

— Astrid? — Virei o rosto e João Miguel estava na porta. Intacto. Como se tivesse acabado de chegar.

Olhei de volta para o quarto, mas não tinha nada claro, nada certo. Que droga. Avancei e o empurrei contra a parede do corredor.

— Você acha que eu sou tolo? — me olhou com dificuldade por causa da fumaça que se espalhava rapidamente.

— O que aconteceu? Porque saiu do quarto e entrou aqui? — ele perguntou enquanto tentava afastar a fumaça do meu rosto.

— Quem estava com você naquele quarto? — gritei. Eu não me importava se o hotel explodisse, eu só queria a verdade.

— Eu troquei de quarto. Nem estava ali.

— Ah, claro que trocou. Bem conveniente. — Debochei me afastando com um lado do corpo, mas ele segurou meus braços.

— Astrid—

— Eu ouvi. Você estava com alguém ali. Eu preciso saber.

Então alguém gritou no corredor:

— Precisamos evacuar o prédio! — mas ignorei.

— Quem estava com você, João Miguel?

— Eu não estava com ninguém. — Ele segurou meu rosto com força. Estava com a voz alterada e sustentou meu olhar com aquela força masculina que tem ao encarar, e isso me irritou mais do que qualquer desculpa. Mas a situação piorou quando ouvi uma voz feminina saindo de dentro do quarto.

— João Miguel! — Ela o chamou pelo nome?

Virei. A mulher saiu do quarto mancando levemente. Ainda tinha bastante fumaça, mas no corredor a visão ficou mais clara. Era linda, parecia confiante arrumando os cabelos com os dedos e mantendo o rosto erguido. Cabelos negros e longos, olhos pretos como os de João Miguel. Perigosa, e com uma roupa tão curta que se abaixasse daria pra ver a calcinha.

— Me ajuda a ir até o elevador? — disse, manhosa. — Virei o pé, João Miguel… — Meu estômago revirou. Ela o conhecia, agora era real.

Olhei para ele esperando sua resposta pra mulher.

— Não tenho tempo agora — respondeu, frio, puxando meu braço. — Vamos sair daqui Astrid.

Voltei para ela, me desprendendo dele.

— Você disse que não estava na sala naquele momento? Você já a conhece! —Gritei, e ele balançou seus cabelos pretos que iam no rosto com mais força que o comum, jogando pra trás.

— Astrid, o prédio está pegando fogo, porra! Vai sair ou terei que te arrastar?

Eu sabia que precisava sair. Dei uma última olhada pra aquela mulher e percebi que nenhum outro homem saiu pela porta do quarto. Observei o vestido desalinhado, o sorriso pra mim provocando, e então dei as costas pra ela.

— Antes você era mais carinhoso, querido… nem casou e já está gritando com sua noiva? — Foi o suficiente pra me tirar do sério.

Avancei sobre ela, fechei o punho e meti um soco no seu nariz. Ela caiu.

— Não importa quem você seja — minha voz saiu alta, perigosa. — João Miguel é "meu" noivo. — Dei mais um passo. — E ninguém vai chamar ele de querido. Aprenda a respeitar a Donna Suéca ou não vai viver pra saber o que aconteceu.

Ela quis gritar, mas ele me puxou gritando com ambas.

— Já chega! — me arrastou para as escadas. De canto de olho vi um vulto que ajudou a mulher a sair de lá, mas com a puxada de João Miguel eu não identifiquei nada. Não tinha como saber se era alguém do hotel ou algum conhecido.

Desci com o coração disparado, a raiva queimando, o vestido pesado contra meu corpo.

— Me solta João Miguel! Não vai mais ter casamento. Está cancelado! — Ele continuou me puxando e me obrigando a descer as escadas. Eu não podia com a força dele, é bem maior e foi muito bem treinado na máfia italiana.

— Não quero mais nenhum acordo! Vai embora!

Quando descemos o último degrau, ele me prensou contra a parede. Seus olhos negros pareciam que iriam me consumir.

— Escuta aqui, Astrid! Eu deixei todo o meu legado pra casar com você. Deixei de ser Consigliere de uma máfia a todo vigor pra me tornar seu Don. A Suécia está quebrada, e você fez sua escolha. Então cala a porra da boca e me obedece. Porque hoje você casa comigo nem que seja amarrada!

— Mas você me traiu! — tentei empurrar seus punhos, cheguei a tirar da parede, mas agora me segurou pela cintura.

— Ah é? Então prova amore mio. Se você conseguir, eu mesmo te devolvo seu maledetto cargo. Agora arruma essa cara e vamos até a cerimônia porque tem duas máfias grandes nos esperando. Ou vai querer chegar lá e fazer papel de inexperiente ao cancelar um casamento de negócios?

Sua expressão era de puro deboche.

— Negócios? É "só" um acordo mesmo, pra você?

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