O relógio marcava sete horas da manhã no Brasil quando finalmente fiz a ligação.
Para mim ainda era madrugada, mas eu não havia pregado os olhos.
Meu humor não tinha melhorado.
Minha paciência, muito menos.
Eu queria respostas. E as teria.
A chamada tocou duas vezes antes de ser atendida.
— Bom dia, Sheik, ou melhor… para você ainda é noite.
Disse Carolina, com aquela voz carregada de ironia.
— O que faz você me ligar tão cedo? Veio tratar do retorno da Júlia? Seu tempo está chegando ao fim.
A audácia dessa mulher.
— Carolina, Carolina…
Murmurei, apoiando o cotovelo no braço da poltrona.
— Eu havia esquecido que não se pode subestimar um brasileiro.
Ela franziu a voz, como se minha frase tivesse acendido um alerta.
— Do que você está falando?
— Estou falando da sua ousadia em ligar para a Júlia a incentivando a não assinar o contrato comigo.
Rebati, deixando cada palavra sair lenta e afiada.
— Você sabe muito bem que posso destruir você… e a sua agência.
Uma pausa. Um suspiro do