O caminho até o palácio pareceu mais longo do que o normal, como se o universo estivesse deliberadamente tentando testar minha paciência. O motorista mantinha silêncio absoluto, o que eu apreciava. Eu não estava no estado de espírito adequado para tolerar qualquer ruído que não fosse o da minha própria respiração pesada.
Assim que o carro parou diante da entrada principal, desci sem esperar que alguém abrisse a porta para mim. Caminhei pelos corredores iluminados com lâmpadas amareladas que projetavam sombras longas pelas paredes. Era tarde, e quase todos já dormiam. Quase todos… menos quem não deveria estar acordado.
Eu estava com um único propósito, chegar ao escritório, pensar, planejar, agir.
Mas, a poucos passos da porta do escritório, ouvi um som abafado. Algo como gavetas sendo abertas e fechadas. Um barulho leve, ritmado, mas claramente indevido.
Meu passo cessou por completo. Inclinei o corpo devagar, aproximando o ouvido da madeira maciça. O som continuou. Alguém mexia nas m