Rocco Mancini
O escritório estava impregnado com o cheiro de incenso caro e o bafio de morte que meu pai carregava consigo como uma segunda pele. Francesco Mancini estava sentado na poltrona à minha frente, mas a luz das arandelas já não o favorecia. Ele parecia uma sombra desbotada do monarca que um dia me aterrorizou.
— Você está pálido, Rocco — ele observou, a voz como o farfalhar de folhas secas. — Não dorme?
Diz debochado, meu pai não estava preocupado comigo, e sim com a sua imagem.
— Dormir é um luxo que os herdeiros podem se dar. Os donos do poder não — respondi, sem desviar os olhos do monitor embutido no tampo da minha mesa, disfarçado por documentos de importação.
Em uma janela minimizada no canto da tela, eu a via. Scarlett estava sentada no chão do porão, balançando Luigi. O grão da imagem era cinzento, sem vida, mas eu conseguia sentir a vibração da tristeza dela atravessando os cabos de fibra ótica. Cada vez que ela olhava para a câmera, era como se um punhal atravess