Rocco Mancini
O pátio da mansão estava um deserto de perfeição. Eu esperava no topo da escadaria de mármore, as mãos cruzadas às costas, sentindo o sol da tarde bater na minha pele sem aquecer. Ao meu lado, meu pai tentava manter a postura, mas a bengala tremia levemente sob seu peso. Ele não era nem de longe o homem que me fez respirar a máfia como o meu único ar.
O comboio preto dos Romanos entrou pelos portões com uma precisão militar, levantando a poeira que eu jurava ter mandado limpar.
Quando o carro principal parou, Matteo se adiantou para abrir a porta.
Bella Romano saiu. Ela era tudo o que o contrato exigia: alta, com cabelos negros presos em um coque tão apertado que parecia doloroso, e uma expressão que não carregava um único traço de humanidade. Ela não olhou para a arquitetura, não olhou para os jardins. Seus olhos, de um cinza gélido, cravaram-se em mim como se estivessem analisando uma mercadoria. Um alvo a ser estudado.
— Rocco — disse o pai dela, Dom Vincenzo R