Aurora Vitorino
A tensão dentro daquele jardim de inverno era tão palpável que eu sentia dificuldade para respirar. O cheiro de jasmim e terra úmida, que geralmente me acalmava, agora parecia o perfume de um velório iminente. Vincenza estava parada, com o queixo erguido, desafiando a gravidade e o bom senso. Antônio, por outro lado, parecia uma caldeira prestes a explodir.
— Você é uma idiota, Vincenza! Uma idiota completa! — Antônio rugiu, e o som rebateu nas paredes de vidro. — Você acha que