Antônio Vitorino
O asfalto de Milão não tem a mesma alma que a terra batida da Toscana. Enquanto o jipe cortava as ruas cinzentas e apressadas, o sol dourado que nos acompanhou durante a última semana parecia uma memória de outra vida, um sonho que tivemos e que a névoa do norte insistia em apagar. No banco do passageiro, Vincenza estava em silêncio, mas não era o silêncio confortável das parreiras; era o silêncio de quem está recalibrando a armadura.
Eu olhava para ela pelo canto do olho. Ela