Antônio Vitorino
O motor do jipe estava desligado, mas o silêncio que preenchia o pátio da Villa não era o mesmo de quando chegamos. Era um silêncio carregado, denso como o sedimento no fundo de uma garrafa de vinho velho. Eu estava encostado na lateral do veículo, observando o sol começar a lamber o topo das oliveiras. Era a nossa última manhã na Toscana.
Eu nunca fui um homem de muitas palavras, e muito menos de sentimentos expostos. Em Milão ou Roma, as palavras são moedas de troca ou sente