Vincenza Mancini
O cheiro de tinta fresca e gesso ainda flutua no ar da Via Montenapoleone. Minha loja. Meu santuário de vidro e concreto. As araras de metal escovado estão vazias, esperando pelas armaduras de seda que venho costurando com as pontas dos dedos sangrando, mas o silêncio do espaço amplo só serve para amplificar o barulho dentro da minha cabeça.
Eu estava no centro do salão, observando o reflexo distorcido de uma das vitrines, quando Aurora entrou. Ela caminha com uma graça que eu